<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?>
<TEI xmlns="http://www.tei-c.org/ns/1.0">
  <teiHeader>
    <fileDesc>
      <titleStmt>
        <title type="main" level="a">A Europa enquanto utopia+F53</title>
        <author>
          <persName n="1" ref="https://orcid.org/0000-0002-5315-1182" type="ORCID">
            <forename>José Eduardo</forename>
            <surname>Franco</surname>
            <placeName type="affiliation">Open University, Lisbon, Portugal</placeName>
          </persName>
        </author>
        <respStmt>
          <resp>This is a section of <title>Europa: um projecto em construção</title>(DOI: <idno type="DOI">10.36253/979-12-215-0010-3</idno>) by </resp>
          <name>Michela Graziani, Annabela Rita</name>
        </respStmt>
      </titleStmt>
      <publicationStmt>
        <publisher>Firenze University Press</publisher>
        <pubPlace>Firenze</pubPlace>
        <date when="2023">2023</date>
        <idno type="DOI">https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.13</idno>
        <availability>
          <p>Available for academic research purposes</p>
          <p>Open Access</p>
          <p>Copyright Author(s)</p>
          <licence source="text" target="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode">
            <p>Content licence CC BY 4.0</p>
          </licence>
          <licence source="metadata" target="https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/legalcode">
            <p>Metadata licence CC0 1.0</p>
          </licence>
        </availability>
      </publicationStmt>
      <sourceDesc>
        <p>This is original content, published for academic research purposes</p>
      </sourceDesc>
    </fileDesc>
    <encodingDesc>
      <appInfo>
        <application version="2.2" ident="Booksflow">
          <desc>Digital edition XML powered by Booksflow</desc>
        </application>
      </appInfo>
    </encodingDesc>
    <profileDesc>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Drawing on David Sassoli's inspiring vision, we propose a reflection on Europe as a utopian project with ancient rootedness.  This project's uniqueness is marked by its unfinished state, always requiring the impetus of renewed hope. The European Union has to be constantly updating and deepening itself in order to survive.  In the conclusion we observe how Europe has been a utopian goal of progress for the countries that comprise it, as is the paradigmatic case of Portugal.</p>
      </abstract>
      <textClass>
        <keywords>
          <list>
            <item>Europe</item>
            <item>Utopia</item>
            <item>Hope</item>
            <item>Renewal</item>
            <item>Portugal</item>
          </list>
        </keywords>
      </textClass>
    </profileDesc>
  </teiHeader>
  <text>
    <body>
      <p>It is available online at https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.13<ref target="https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.13" /></p>



<p rend="h1_chapter" >A Europa enquanto utopia</p><p rend="h1_author" >José Eduardo Franco</p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_1" >Do que a Europa precisa – e precisa acima de tudo – é de um novo projeto de esperança. Penso que podemos construir esse projeto com base numa abordagem robusta, com três vertentes: uma Europa que inova; uma Europa que protege; uma Europa que ilumina.</p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_2" >(David Sassoli)</p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_2" >A utopia é boa enquanto não se torna realidade. Não é um objetivo, é um horizonte em movimento.</p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_3" >(Umberto Eco)</p><p rend="text" ><hi >A União Europeia que temos hoje pode ser</hi><hi > vista, em certa medida, como o resultado de um processo</hi><hi > decorrente de um ideal de reatualização</hi><hi rend="italic" > </hi><hi >de projetos </hi><hi >políticos muito antigos e de natureza utópica. Assim, em alguns</hi><hi > aspetos, </hi>é<hi > legítima a proposição de que a União </hi><hi >Europeia está a reatualizar, de forma pacífica, o modelo do</hi><hi > Império Romano. O seu ideário assente no ideal consagrado com</hi><hi > a expressão </hi><hi rend="italic" >Pax Romana</hi><hi > visava construir uma espécie de cidadania</hi><hi > universal: um império multiétnico e multirreligioso, com um direito </hi>único,<hi > com regras e moeda comuns, estendendo-se por espaços cada vez</hi><hi > mais amplos, com um ideário civilizacional que visava englobar todos</hi><hi > os povos que aceitassem este projeto de cidadania, com custos,</hi><hi > naturalmente, de partilha de soberania e vassalagem ao imperador.</hi></p><p rend="text" ><hi >Como </hi><hi >sabemos, todo o projeto utópico deixa de o ser, isto </hi>é,<hi > perde o seu fascínio enquanto ideal a atingir, quando </hi><hi >se tenta torná-lo realidade. A utopia, quando concretizada, assume a </hi><hi >dimensão crua da realidade e das fragilidades que essa realidade </hi><hi >humano-social impõe ao projeto utópico. A utopia encarnada clama por</hi><hi > outra utopia ou por mais utopia. Hoje, o problema profundo</hi><hi > e verdadeiro da Europa resulta da crise de utopia. Não</hi><hi > uma crise sem solução, mas uma crise necessária, que se</hi><hi > repetirá sempre que se concretizar a revisão, a reformulação e</hi><hi > a repotenciação da utopia inicial. Esta consciência (ou inconsciência) </hi>é<hi > fundamental para nunca desistirmos do esforço humano de utopizar.</hi></p><p rend="text" ><hi >Os</hi><hi > diversos analistas e pensadores do processo de implementação do projeto-utopia</hi><hi > europeu, consubstanciado na atual União Europeia, tendem a afirmar que</hi><hi > a consolidação deste projeto implica a necessidade de criar um</hi><hi > ‘sentimento europeu’ de pertença comum, que passaria pelo que Edgar</hi><hi > Morin chamou «mercado comum cultural</hi>»<hi >. Isto passaria por </hi><hi >imaginarmos, pensarmos e sentirmos todos (os europeus) toda a história </hi><hi >como nossa e não como dos franceses, dos alemães, dos </hi><hi >portugueses, etc. Quando fizermos a história da Europa nossa e </hi><hi >sentirmos que estamos a participar juntos na construção do seu </hi><hi >destino, então teremos uma Europa sentida pelos europeus. Mas, para </hi><hi >isso, </hi>é<hi > preciso tempo e uma política bem conduzida nesse </hi><hi >caminho (cfr. Pinheiro et al. 2012).</hi></p><p rend="text" ><hi >Com efeito, a Europa</hi><hi > apresenta-se como um projeto inacabado, como </hi>é<hi > próprio da natureza</hi><hi > e da condição de um projeto utópico. Por isso, como</hi><hi > tem sido apanágio da construção deste ideal europeu, urge pensar</hi><hi > e repensar a Europa. </hi>É<hi > um </hi><hi rend="italic" >slogan</hi><hi >, um objetivo </hi><hi >científico, uma missão cultural muito badalada nos </hi>últimos<hi > anos, em </hi><hi >que a Europa se cria e recria como nunca. Tem </hi><hi >feito parte de programas políticos e de missões académicas. Talvez </hi><hi >por isso Edgar Morin asseverasse que </hi></p><p rend="quotation_b" >é<hi > difícil perceber a </hi><hi >Europa desde a Europa. Sem dúvida, desde os Estados Unidos </hi><hi >se percebe o pequeno continente como uma espécie de grande </hi><hi >Disneylândia, cheia de igrejas, palácios, mansões, acrópolis, aldeias antigas, restaurantes,</hi><hi > boinas bascas, chapéus tiroleses, holandeses com suecos, sistakis, valsas </hi><hi >vienenses (Morin 2003, 22)</hi><hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-002-backlink"><ref target="_13.html#footnote-002">1</ref></hi></hi><hi >.</hi></p><p rend="text" ><hi >Caído o seu império sobre </hi><hi >o mundo, relativizado o dogmatismo avassalador do eurocentrismo, humilhado o </hi><hi >seu orgulho por guerras fratricidas que envolveram o mundo, a </hi><hi >Europa tentou renascer das cinzas com um projeto novo de </hi><hi >unidade, que tem garantido a paz, durante o </hi>último<hi > meio </hi><hi >século, entre as nações que aderiram.</hi></p><p rend="text" ><hi >A União Europeia </hi>é,<hi > todavia,</hi><hi > o projeto mais inovador, enquanto bloco político, do século </hi><hi rend="CharOverride-1" >xx</hi><hi >. O seu sucesso seduz o mundo e recupera alguma </hi><hi >dignidade aos desfazeres de uma Europa ambiciosa, orgulhosa e dominadora </hi><hi >do passado. Mas a Europa sempre foi, e continua a </hi><hi >ser, um continente pensante e inquieto, ou talvez inquieto porque </hi><hi >pensante, especialmente quando se tem de entender a si própria.</hi></p><p rend="text" ><hi >Por</hi><hi > seu lado, </hi>é<hi > verdade que nunca se estudou tanto, nunca</hi><hi > se analisou e falou tanto sobre a Europa como hoje.</hi><hi > </hi>É<hi > uma evidência </hi>à<hi > </hi><hi rend="italic" >Monsieur</hi><hi > Jacques de La Palice, </hi><hi >mas </hi>é<hi > preciso enunciá-la e constatá-la, especialmente ao nível dos </hi><hi >estudos académico-científicos. A Europa tornou-se um </hi><hi rend="italic" >case study</hi><hi > sobre o </hi><hi >qual se tem produzido, através das mais diversas disciplinas científicas </hi><hi >e abordagens, um manancial de estudos, de tratados, de histórias, </hi><hi >de reflexões. Financiados e estimulados pela própria União Europeia ou </hi><hi >não, em todos os países do Velho Continente nascem, pujantes </hi><hi >de juventude, os Estudos Europeus. Mas o fenómeno transborda largamente </hi><hi >as fronteiras europeias. São cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, </hi><hi >são centros de investigação, são congressos, são </hi><hi rend="italic" >workshops</hi><hi > que por </hi><hi >todo o lado proliferam. Se há uma geografia física, humana, </hi><hi >política, religiosa, cultural da Europa, importa fazer também esta nova </hi><hi >e pujante geografia, a geografia dos estudos sobre a Europa, </hi><hi >a Europa enquanto objeto de estudo. A popularidade da Europa </hi><hi >enquanto tema de estudo </hi>é,<hi > sem dúvida, dos aspetos mais </hi><hi >notáveis da nova cultura europeia. Há unidade e unanimidade neste </hi><hi >ponto: a Europa </hi>é<hi > um caso de estudo interessante. E </hi><hi >não apenas porque há muitos financiamentos para o efeito!</hi></p><p rend="text" ><hi >De facto,</hi><hi > estamos perante um caso inédito na história política e cultural.</hi><hi > O projeto da União Europeia em curso está a tentar</hi><hi > concretizar, desde há mais de meio século, uma utopia pacifista</hi><hi > de unidade sonhada por muitos pensadores idealistas dos séculos passados.</hi><hi > Unindo nações, instalando paulatinamente um superestado – ou uma autoridade</hi><hi > transnacional com alguma força –, partilhando soberania, integrando a diversidade</hi><hi > de culturas e procurando, nessa multiplicidade, um fio condutor comum.</hi><hi > Tudo isto de uma forma extraordinariamente </hi>única<hi > até ao momento:</hi><hi > de forma pacífica, sem recurso ao braço militar.</hi></p><p rend="text" ><hi >O que </hi><hi >mais fascina no estudo sobre a Europa </hi>é<hi > o facto </hi><hi >de podermos acompanhar a concretização de uma utopia tornada projeto </hi><hi >político, cultural e económico depois da </hi>última<hi > grande guerra, cujos </hi><hi >protagonistas foram os chamados pais da Europa: Robert Schuman, Jean </hi><hi >Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gasperi, Sicco Mansholt.</hi></p><p rend="text" ><hi >Os </hi><hi >problemas e as fragilidades que envolvem o projeto europeu em </hi><hi >ato, que </hi>é<hi > uma espécie de processo revolucionário silencioso em </hi><hi >curso, através da concretização de uma velha utopia, passam pela </hi><hi >não coincidência entre a utopia praticada e a utopia sonhada. </hi><hi >Desta falta de coincidência brota a desilusão, o desengano, o </hi><hi >descontentamento. Todo o projeto humano, quando </hi>é<hi > concretizado, está sujeito </hi><hi >a este processo e a este efeito. Não esqueçamos que, </hi><hi >como escreve Lewis Mumford, </hi></p><p rend="quotation_b" >a palavra “utopia” designa ou a completa loucura ou a esperança humana absoluta – sonhos vãos de perfeição numa Terra do Nunca ou esforços racionais para remodelar o meio humano, as suas instituições ou até a sua própria natureza falível – de maneira a enriquecer a vida da comunidade (Mumford 2007, 9).</p><p rend="text" ><hi >Se tentássemos – como aliás</hi><hi > já se tentou, em versões modernas e </hi>à<hi > luz de</hi><hi > outros ideários, como as aldeias biotópicas ou as </hi><hi rend="italic" >concept-cities</hi><hi > –</hi><hi > concretizar o projeto de sociedade ideal da ilha utópica de</hi><hi > Thomas More, ou da Cidade do Sol de Tommaso Campanella</hi><hi >, a experiência da desilusão aconteceria logo que se lançasse </hi><hi >a primeira pedra para erguer essa nova sociedade. A utopia </hi>é<hi > irmã gémea da distopia.</hi></p><p rend="text" ><hi >No quadro da reconhecida necessidade de</hi><hi > compaginar o ideal subjacente ao projeto político europeu com a</hi><hi > tecelagem de uma identidade forte importa, pois, também conferir </hi>à<hi > Europa uma teleologia comum, com a criação da chamada «comunidade</hi><hi > de destinos</hi>»<hi >, que dê finalidade </hi>à<hi > sua deriva histórica</hi><hi > dos cidadãos europeus reunidos em comunidade (Ribeiro 2002, 9 e</hi><hi > sgg.). De facto, o que subjaz a muita da</hi><hi > ideografia europeia </hi>é<hi > o intento de transpor e imprimir no</hi><hi > projeto comunitário apanágios estruturantes das velhas nacionalidades (cfr. Giddens</hi><hi > 2007). Muitos autores expressam, clara ou subliminarmente, a convicção de</hi><hi > que, no fundo, a Europa só terá viabilidade se desenvolver</hi><hi > e aplicar a si uma mitologia nacionalizante, que passará </hi><hi >necessariamente pelo erguer de uma mitificação quadridimensional de sentido da </hi><hi >comunidade nacional europeia: uma mitificação das origens, a narração </hi>épica<hi > </hi><hi >de uma epopeia comum, a circunscrição de uma idade de </hi><hi >ouro-idade referência e a projeção de uma teleologia (cfr. </hi><hi >Franco 2012, 253-60).</hi></p><p rend="text" ><hi >Mas importa perguntar se </hi>é<hi > uma nova nação</hi><hi > que se quer, ou melhor, uma supernação com os complexos</hi><hi > e os excessos históricos que marcaram a deriva da afirmação</hi><hi > das nacionalidades, que passou por unificações e uniformizações culturais e</hi><hi > identitárias, não poucas vezes violentas e esterilizadoras de experiências de</hi><hi > existência humana em comunidade diversas (cfr. Geary 2008; Bonin</hi><hi > 2001). Ou se, por outro lado, estamos no momento histórico</hi><hi > privilegiado para inventarmos uma realidade nova e evitarmos os erros</hi><hi > do passado, que se tornaram crassos (cfr. Watson 2000).</hi></p><p rend="text" ><hi >Nesta linha de reflexão, </hi>é<hi > bem pertinente a pergunta de </hi><hi >Maria Manuela Tavares Ribeiro: «não será possível existir uma integração </hi><hi >política sem uma integração cultural?</hi>»<hi >. Como bem considera a </hi><hi >autora, esta questão permite equacionar de maneira diferente as </hi>«relações<hi > </hi><hi >com o ‘exterior’ da União, entre ‘nós’ e os ‘outros’</hi><hi >, o que prova, de certa maneira, que a ideia </hi><hi >de uma unidade cultural não tem muito sentido» (Ribeiro 2002, </hi><hi >10). Com efeito, como lembra Lucian Boia, </hi>«as<hi > distâncias de </hi><hi >ordem cultural e mental tornam-se muito mais consideráveis que as </hi><hi >distâncias geográficas. A proximidade não exclui a alteridade e, por </hi><hi >vezes, até reforça» (Boia 1998, 123).</hi></p><p rend="text" ><hi >A atrás citada especialista em</hi><hi > Estudos Europeus partilha de um outro ideário que também nós</hi><hi > consideramos mais viabilizante para a União Europeia, contra as tentações</hi><hi > uniformistas e sempre reincidentes. Este ideário </hi>é<hi > expresso através do</hi><hi > conceito de «coabitação cultural</hi>»<hi >, em que a Europa dos</hi><hi > povos e das culturas se respeita, mas também se recria</hi><hi > na relação sinergética entre as partes (cfr. Wolton 1999</hi><hi >, 11-7; Touraine 2005), numa partilha dialógica de perspetiva intercultural (</hi><hi >cfr. Villanova et al. 2001; Ortiz 2006). De facto, </hi><hi >não tem sentido e </hi>é<hi > uma ‘situação paradoxal’ querer-se a </hi><hi >globalização e uniformização cultural e, ao mesmo tempo, assistir-se a </hi><hi >um processo de valorização das culturas e especificidades nacionais e </hi><hi >regionais, como reação ao processo aposto em curso (cfr. </hi><hi >Santos 2002). Com efeito, na linha do que defendia André </hi><hi >Malraux, «o universo da cultura não </hi>é<hi > o mesmo que </hi><hi >o universo da imortalidade; </hi>é<hi > sim o da metamorfose</hi>»<hi >. </hi><hi >O mesmo </hi>é<hi > dizer que o mundo da cultura </hi>é<hi > </hi><hi >dinâmico e não estático. Assim temos a oportunidade </hi>única<hi > de </hi><hi >a Europa se pensar e se definir como um espaço, </hi><hi >uma união onde as culturas se recriem: o espaço por </hi><hi >excelência da criação cultural que faz evoluir verdadeiramente a humanidade. </hi><hi >Assim a ‘Europa das Culturas’ evitaria o regresso da tentação </hi><hi >nacionalizante, que poderia eriçar velhos antagonismos sem solução (cfr.</hi><hi > Ribeiro 2002, 11).</hi></p><p rend="text" ><hi >Por esta via, a Europa poderá aproximar-se </hi><hi >um pouco mais daquela ideia, carregada de utopia, de ser, </hi><hi >na formulação de alguns, um «laboratório do mundo</hi>»<hi >, ou </hi><hi >um laboratório de humanidade, como sonhou Jeremy Rifkin, na linha</hi><hi > de uma velha formulação, ainda mais poética, de olhar a</hi><hi > Europa como «jardim do mundo</hi>» <hi >(cfr. Franco, e Gomes</hi><hi > 2008)</hi><hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-001-backlink"><ref target="_13.html#footnote-001">2</ref></hi></hi><hi >. Mas sem nunca esquecer a definição sagaz de</hi><hi > Umberto Eco, que via a utopia como «horizonte em movimento</hi>»<hi >, que deve ser também o horizonte da criação cultural.</hi></p><p rend="text" ><hi >Assim, a ideia de laboratório seria um projeto </hi>à<hi > medida </hi><hi >da Europa, em que a sua pequenez como continente poderia </hi><hi >coadunar-se com a largueza da sua história, que se intersectou </hi><hi >e interrelacionou, em várias </hi>épocas<hi > e andamentos, com as histórias </hi><hi >dos diferentes povos e culturas do mundo (cfr. Corral </hi><hi >1974). Pois, como afirma Guilherme d’Oliveira Martins, «a Europa </hi>é<hi > uma ideia, mais do que um continente</hi>»<hi >. E </hi><hi >para que não corra o risco de se tornar um </hi><hi >museu de sonhos, importa atender </hi>à<hi > necessidade de criar um </hi><hi >mito mobilizador, de que fala Eduardo Lourenço e que Oliveira </hi><hi >Martins assim concretiza: </hi></p><p rend="quotation_b" >O mito mobilizador de que necessitamos na Europa contemporânea exige a compreensão da “comunidade de memória” que se repercuta na legitimidade democrática complexa, que resulta da convergência entre os povos, de que decorre uma nova e inédita realidade supranacional. Identidade e identidades definem uma pluralidade de pertenças e uma integração aberta, em que temos de nos empenhar. Eis porque a realidade europeia tem de ser entendida como uma “comunidade plural de destino e valores” (Martins 2009, 158).</p><p rend="text" ><hi >Para</hi><hi > o caso concreto da cultura portuguesa, a Europa </hi>é<hi > mais</hi><hi > do que uma configuração geográfica na qual Portugal participa. Ela</hi><hi > assume dimensões várias de significação, que têm funcionado para nós</hi><hi > como palco, espelho, meta, mito e utopia. No processo histórico</hi><hi > de afirmação do Portugal independente, o país procurou no palco</hi><hi > da Europa, em primeiro lugar, esse reconhecimento no quadro do</hi><hi > xadrez de poder em jogo, primeiro da parte do papado</hi><hi > e depois das diferentes potências nas várias </hi>épocas<hi > e contextos</hi><hi > históricos.</hi></p><p rend="text" ><hi >Como espelho funcionou também a Europa para um país </hi><hi >como Portugal, em que este se via e revia nos </hi><hi >momentos de glória e de crise: ora para se comparar, </hi><hi >distinguir e diferenciar, ora para concluir que tinha perdido o </hi><hi >brilho do passado em que se convenceu que estava na </hi><hi >vanguarda do continente/civilização de que fazia parte. Com o crepúsculo </hi><hi >da idade de ouro, perdida e amplamente mitificada, do tempo </hi><hi >da Expansão Portuguesa, a leitura cultural através dos discursos recidivos </hi><hi >da decadência portuguesa, com especial incidência a partir da </hi>época<hi > </hi><hi >pombalina, promoveu uma poderosa mitificação da Europa, que se tornou </hi><hi >uma espécie de horizonte utópico que Portugal devia perseguir para </hi><hi >recuperar o tempo perdido e afinar o passo pelo ritmo </hi><hi >do progresso. A Europa, ou melhor, uma Europa mitificada impõe-se </hi><hi >no imaginário como modelo e meta a atingir, sem nunca </hi><hi >ser de facto alcançada.</hi></p><p rend="text" ><hi >A queda da ditadura em 1974, a</hi><hi > perda das colónias e a afirmação do regime democrático hoje</hi><hi > em vigor fizeram com que Portugal se voltasse novamente para</hi><hi > a Europa. Integrou-se no projeto político-económico da União Europeia. Neste</hi><hi > processo de transição e de transformação abrupta, o país viu-se</hi><hi > na necessidade de se repensar a si próprio, de refletir</hi><hi > a sua identidade outra vez na sua relação com a</hi><hi > Europa (cfr. Fafe 1994; Macedo 1988; Gil 2005; Real</hi><hi > 1998).</hi></p><p rend="text" ><hi >Nas </hi>últimas<hi > décadas da sua história como Estado membro </hi><hi >da Europa das nações, tem-se agudizado novamente a consciência do </hi><hi >seu atraso secular, do seu estatuto de cauda da Europa, </hi><hi >que nunca mais conseguiu superar. A Europa tomou conta da </hi><hi >política e da cultura portuguesas como prioridade e paradigma de </hi><hi >progresso que o país almeja obsessivamente imitar. Os parâmetros europeus </hi><hi >passam a ser os parâmetros sempre comparados e as etapas </hi><hi >sempre estabelecidas em quase todos os níveis, para serem atingidos. </hi><hi >A Europa impõe-se como um verdadeiro mito mobilizador de transformação </hi><hi >política e das mentalidades.</hi></p><p rend="text" ><hi >Marcado por uma visão irreal do seu</hi><hi > passado, como bem diagnosticou Eduardo Lourenço, da dimensão do seu</hi><hi > papel histórico e do seu lugar no mundo das nações,</hi><hi > Portugal, país-sempre-em-saudade, desejoso de recuperar a mitificada idade de ouro</hi><hi > perdida, continua a manifestar esse desejo de se tornar, de</hi><hi > algum modo, um país de relevo na cena europeia e</hi><hi > mundial, nem que seja, agora, pelas suas língua e cultura</hi><hi > e pelas relações privilegiadas que mantém com a rede dos</hi><hi > povos lusófonos.</hi></p><p rend="text" ><hi >Não deixa ainda de ser frequente ouvir-se nos </hi><hi >discursos dos nossos políticos e intelectuais o apelo </hi>à<hi > necessidade </hi><hi >de repensar estrategicamente o papel e o lugar de Portugal </hi><hi >no mundo e na Europa. Esta preocupação constante manifestada nas </hi><hi >intervenções públicas não será o eco remoto desse </hi>íntimo<hi > desejo </hi><hi >coletivo, movido por uma espécie de saudade de fundo sebastianista, </hi><hi >que aspira </hi>à<hi > recuperação da liderança e da vanguarda que </hi><hi >outrora Portugal detinha no xadrez das nações? Por isso, a </hi><hi >ideia-mestra de Europa constante na cultura e no imaginário portugueses </hi>é<hi > mais do que um modelo a imitar. </hi>É,<hi > no </hi><hi >fundo, uma meta a ultrapassar e uma civilização a liderar, </hi><hi >de algum modo, por um país que a sonha de </hi><hi >forma tão apaixonada.</hi></p><p rend="text" ><hi >Em suma, as sucessivas leituras que a cultura</hi><hi > portuguesa foi fazendo da Europa ao longo da sua história</hi><hi > são de grande importância para a compreensão das preocupações e</hi><hi > dos desafios que se colocaram a Portugal nos seus diferentes</hi><hi > períodos históricos</hi><hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-000-backlink"><ref target="_13.html#footnote-000">3</ref></hi></hi>.</p><p rend="h2" >Referências bibliográficas</p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Boia, L. 1998. </hi><hi rend="italic" >Pour Une </hi><hi rend="italic" >Histoire de l’Imaginaire</hi><hi >. Paris: Les Belles Lettres.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Bonin, P-Y.</hi><hi > dir. 2001. </hi><hi rend="italic" >Mondialisation: Perspectives Philophiques</hi><hi >. </hi>Paris: L’Harmattan.</p><p rend="bib_indx_bib" >Corral, L. D. del. 1974. <hi rend="italic">El Rapto de Europa – Uma </hi><hi rend="italic">Interpretation Histórica de Nuestro Tempo</hi>. Madrid: Alianza Editorial.</p><p rend="bib_indx_bib" >Fafe, J. F. 1994. <hi rend="italic">Está Portugal em vias de Deixar de </hi><hi rend="italic">Existir</hi>. Porto: Página a Página.</p><p rend="bib_indx_bib" >Franco, J. E. 2008. “Portugal, de face a cauda da Europa: Notas para o estudo da ideia de Europa na cultura portuguesa.” <hi rend="italic">Brotéria</hi> 167: 191-99.</p><p rend="bib_indx_bib" >Franco, J. E. 2009a. “Europa em crise ou crise da utopia europeia: Reflexões à margem do Congresso ‘Ideas of/for Europe’.” (assinado com o pseudónimo Peter Mil-Homens Mumford). <hi rend="italic">Brotéria</hi> 169 (4): 563-68.</p><p rend="bib_indx_bib" >Franco, J. E. 2009b. “O mito e o espelho: A ideia de Europa em Eduardo Lourenço.” <hi rend="italic">Islenha </hi>45 (julho-dezembro): 31-42.</p><p rend="bib_indx_bib" >Franco, J. E. 2012. “Entre a afirmação de nós e a negação dos outros: Complexo mítico da identidade nacional portuguesa.” <hi rend="italic">Brotéria</hi>, 175: 253-60.</p><p rend="bib_indx_bib" >Franco, J. E. 2020. <hi rend="italic">A Europa ao Espelho</hi><hi rend="italic"> de Portugal: Ideia(s) de Europa na Cultura Portuguesa.</hi> Lisboa: Temas e Debates/Círculo de Leitores.</p><p rend="bib_indx_bib" >Franco, J. E., e Gomes, A. C. da C. (coord.). 2008. <hi rend="italic">Jardins do</hi><hi rend="italic"> Mundo: Discursos e Práticas.</hi> Lisboa: Gradiva.</p><p rend="bib_indx_bib" >Geary, P. 2008. <hi rend="italic">O Mito das Nações: A Invenção do Nacionalismo</hi>. Lisboa: Gradiva.</p><p rend="bib_indx_bib" >Giddens, A. 2007. <hi rend="italic">A Europa na Era Global</hi>. Lisboa: Presença.</p><p rend="bib_indx_bib" >Gil, J. 2005. <hi rend="italic">Portugal, hoje. O Medo</hi><hi rend="italic"> de Existir</hi>. Lisboa: Relógio d’Água.</p><p rend="bib_indx_bib" >Macedo, J. B. de. 1988. <hi rend="italic">Portugal-Europa para além da Circunstância</hi>. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.</p><p rend="bib_indx_bib" >Martins, G. d’O. 2009. “Ponto de encontro de identidades.” In <hi rend="italic">Identidade Europeia – Identidades</hi><hi rend="italic"> Europeias</hi>, coord. I.C. Gil, 158. Lisboa: Universidade Católica Editora.</p><p rend="bib_indx_bib" >Morin, E. 2003. <hi rend="italic">Pensar a Europa. La Metamorfosis </hi><hi rend="italic">de Un Continente</hi>. Barcelona: Erdisa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Mumford, L. 2007. <hi rend="italic">História </hi><hi rend="italic">das Utopias</hi>. Lisboa: Antígona.</p><p rend="bib_indx_bib" >Ortiz, R. 2006. <hi rend="italic">Mundialização e </hi><hi rend="italic">Cultura</hi>. São Paulo: Editora Brasiliense.</p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Pinheiro, T. et al. 2012.</hi><hi > </hi><hi rend="italic" >Ideas of/for Europe: An Interdisciplinary Approach to European Identity</hi><hi >, </hi><hi >apresentação de José Manuel Durão Barroso, prefácio de Viriato Soromenho-Marques</hi><hi >. </hi>Bruxelles: Peter Lang.</p><p rend="bib_indx_bib" >Real, M. 1998. <hi rend="italic">Portugal: Ser e Representação</hi>. Lisboa: Difel.</p><p rend="bib_indx_bib" >Ribeiro, M. M. T. coord. 2002. <hi rend="italic">Identidade Europeia e Multiculturalismo</hi>. Coimbra: Quarteto.</p><p rend="bib_indx_bib" >Santos, V. M. dos. 2002. <hi rend="italic">Conhecimento e Mudança. Para Uma Epistemologia da Globalização</hi>. Lisboa: Instituto Superior de Ciências e Sociais e Políticas.</p><p rend="bib_indx_bib" >Touraine, A. 2005. <hi rend="italic">Um Novo Paradigma. Para Compreender o Mundo</hi><hi rend="italic"> de Hoje</hi>. Lisboa: Instituto Piaget.</p><p rend="bib_indx_bib" >Villanova, R. de et al. 2001. <hi rend="italic">Construire l’Interculturel? De la Notion aux Pratiques</hi>. <hi >Paris: L’Harmattan.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Watson, C. W. 2000. </hi><hi rend="italic" >Multiculturalism</hi><hi >. Buckingham-Philadelphia:</hi><hi > Open University Press.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" >Wolton, D. 1999. Presentation a <hi rend="italic">La Cohabitation</hi><hi rend="italic"> Culturelle en Europe. </hi><hi rend="italic" >Regards Croisé des Quinzes de l’Est</hi><hi rend="italic" > et du Sud</hi><hi >, 11-7. Paris: CNRS </hi>Éditions.</p><p rend="layout_notes" ><hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><ref target="_13.html#footnote-002-backlink">1</ref></hi>	<hi >Tradução nossa.</hi></p><p rend="layout_notes" ><hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><ref target="_13.html#footnote-001-backlink">2</ref></hi>	<hi >Ver, nesta obra, o texto de Eduardo Lourenço.</hi></p><p rend="layout_notes" ><hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><ref target="_13.html#footnote-000-backlink">3</ref></hi>	<hi >Este texto recupera </hi><hi >e atualiza a reflexão editada pelo autor: Franco 2020; Franco 2008, 191-99; Franco 2009</hi>a,<hi > 563-68; Franco 2009b, 31-42.</hi></p>



      <div>
        <listBibl>
          <head>References</head>
          <bibl n="95598">Boia, L. 1998. Pour Une Histoire de l’Imaginaire. Paris: Les Belles Lettres.</bibl>
          <bibl n="95571">Bonin, P-Y. dir. 2001. Mondialisation: Perspectives Philophiques. Paris: L’Harmattan.</bibl>
          <bibl n="95497">Corral, L.D. del. 1974. El Rapto de Europa – Uma Interpretation Hist&amp;#243;rica de Nuestro Tempo. Madrid: Alianza Editorial.</bibl>
          <bibl n="95576">Fafe, J.F. 1994. Est&amp;#225; Portugal em vias de Deixar de Existir. Porto: P&amp;#225;gina a P&amp;#225;gina.</bibl>
          <bibl n="95460">Franco, J.E. 2008. “Portugal, de face a cauda da Europa: Notas para o estudo da ideia de Europa na cultura portuguesa”. Brot&amp;#233;ria 167: 191-199.</bibl>
          <bibl n="95382">Franco, J.E. 2009a. “Europa em crise ou crise da utopia europeia: Reflex&amp;#245;es &amp;#224; margem do Congresso ‘Ideas of/for Europe’” (assinado com o pseud&amp;#243;nimo Peter Mil-Homens Mumford). Brot&amp;#233;ria vol. 169, n. 4: 563-568.</bibl>
          <bibl n="95503">Franco, J.E. 2009b. “O mito e o espelho: A ideia de Europa em Eduardo Louren&amp;#231;o”. Islenha 45, julho-dezembro: 31-42.</bibl>
          <bibl n="95456">Franco, J.E. 2012. “Entre a afirma&amp;#231;&amp;#227;o de n&amp;#243;s e a nega&amp;#231;&amp;#227;o dos outros: Complexo m&amp;#237;tico da identidade nacional portuguesa”. Brot&amp;#233;ria, 175: 253-260.</bibl>
          <bibl n="95467">Franco, J.E. 2020. A Europa ao Espelho de Portugal: Ideia(s) de Europa na Cultura Portuguesa. Lisboa: Temas e Debates/C&amp;#237;rculo de Leitores.</bibl>
          <bibl n="95515">Franco, J.E., e Gomes, A.C. da C. (coord.). 2008. Jardins do Mundo: Discursos e Pr&amp;#225;ticas. Lisboa: Gradiva.</bibl>
          <bibl n="95587">Geary, P. 2008. O Mito das Na&amp;#231;&amp;#245;es: A Inven&amp;#231;&amp;#227;o do Nacionalismo. Lisboa: Gradiva.</bibl>
          <bibl n="95642">Giddens, A. 2007. A Europa na Era Global. Lisboa: Presen&amp;#231;a.</bibl>
          <bibl n="95611">Gil, J. 2005. Portugal, hoje. O Medo de Existir. Lisboa: Rel&amp;#243;gio d’&amp;#193;gua.</bibl>
          <bibl n="95514">Macedo, J.B. de. 1988. Portugal-Europa para al&amp;#233;m da Circunst&amp;#226;ncia. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.</bibl>
          <bibl n="95430">Martins, G.d’O. 2009. “Ponto de encontro de identidades”. In Identidade Europeia – Identidades Europeias, coord. I.C. Gil, 158. Lisboa: Universidade Cat&amp;#243;lica Editora.</bibl>
          <bibl n="95572">Morin, E. 2003. Pensar a Europa. La Metamorfosis de Un Continente. Barcelona: Erdisa.</bibl>
          <bibl n="95643">Mumford, L. 2007. Hist&amp;#243;ria das Utopias. Lisboa: Ant&amp;#237;gona.</bibl>
          <bibl n="95612">Ortiz, R. 2006. Mundializa&amp;#231;&amp;#227;o e Cultura. S&amp;#227;o Paulo: Editora Brasiliense.</bibl>
          <bibl n="95342">Pinheiro, T. et al. 2012. Ideas of/for Europe: An Interdisciplinary Approach to European Identity, apresenta&amp;#231;&amp;#227;o de Jos&amp;#233; Manuel Dur&amp;#227;o Barroso, pref&amp;#225;cio de Viriato Soromenho- Marques, Frankfurt am Main/Berlin/Bern/Bruxelles/New York/Oxford/Wien: Peter Lang.</bibl>
          <bibl n="95638">Real, M. 1998. Portugal: Ser e Representa&amp;#231;&amp;#227;o. Lisboa: Difel.</bibl>
          <bibl n="95564">Ribeiro, M.M.T. coord. 2002. Identidade Europeia e Multiculturalismo. Coimbra: Quarteto.</bibl>
          <bibl n="95452">Santos, V.M. dos. 2002. Conhecimento e Mudan&amp;#231;a. Para Uma Epistemologia da Globaliza&amp;#231;&amp;#227;o. Lisboa: Instituto Superior de Ci&amp;#234;ncias e Sociais e Pol&amp;#237;ticas.</bibl>
          <bibl n="95534">Touraine, A. 2005. Um Novo Paradigma. Para Compreender o Mundo de Hoje. Lisboa: Instituto Piaget.</bibl>
          <bibl n="95517">Villanova, R. de et al. 2001. Construire l’Interculturel? De la Notion aux Pratiques. Paris: L’Harmattan.</bibl>
          <bibl n="95577">Watson, C.W. 2000. Multiculturalism. Buckingham-Philadelphia: Open University Press.</bibl>
          <bibl n="95453">Wolton, D. 1999. “Presentation”. In La Cohabitation Culturelle en Europe. Regards Crois&amp;#233; des Quinzes de l’Est et du Sud, 11-17. Paris: CNRS &amp;#201;ditions.</bibl>
        </listBibl>
      </div>
    </body>
  </text>
</TEI>