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        <title type="main" level="a">Discursos Entrelaçados: David Sassoli e a renovação do projeto europeu</title>
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          <persName n="1" ref="https://orcid.org/0000-0002-0904-665X" type="ORCID">
            <forename>Luisa M. Antunes</forename>
            <surname>Paolinelli</surname>
            <placeName type="affiliation">University of Madeira, Portugal</placeName>
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          <resp>This is a section of <title>Europa: um projecto em construção</title>(DOI: <idno type="DOI">10.36253/979-12-215-0010-3</idno>) by </resp>
          <name>Michela Graziani, Annabela Rita</name>
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        <publisher>Firenze University Press</publisher>
        <pubPlace>Firenze</pubPlace>
        <date when="2023">2023</date>
        <idno type="DOI">https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.15</idno>
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          <p>Available for academic research purposes</p>
          <p>Open Access</p>
          <p>Copyright Author(s)</p>
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            <p>Content licence CC BY 4.0</p>
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        <p>This is original content, published for academic research purposes</p>
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        <p>In his last speech as President of the European Parliament, on 16 December 2022, addressed to the heads of state of the European Union and entitled "Europe must show allegiance to its citizens“, David Sassoli underlines the importance of thinking about the Europe of the future. Bearing in mind the history and memory of the continent, the roots of the Euroean culture and its long traditions of humanistic and scientific knowledge, he presents three axes of development - innovation, protection and dissemination - for a Europe that must be thought of as a project, dynamic, hopeful, young spirited and faithful to its humanist and democratic basis.</p>
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            <item>European project</item>
            <item>traditions</item>
            <item>knowledge</item>
            <item>innovation</item>
            <item>dissemination</item>
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      <p>It is available online at https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.15<ref target="https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.15" /></p>



<p rend="h1_chapter" >Discursos Entrelaçados: David Sassoli e a renovação do projeto europeu</p><p rend="h1_author" >Luísa M. Antunes Paolinelli</p><p rend="quotation_b" >[…] il Green Deal, la transizione digitale, un’Europa più forte e democratica, una maggiore giustizia sociale, sono progetti forti e indispensabili che l’Europa sta portando avanti, e dobbiamo riuscirci per lealtà verso i nostri concittadini. Ma l’Europa ha anche e soprattutto bisogno di un nuovo progetto di speranza, un progetto che ci accomuni, un progetto che possa incarnare la nostra Unione, i nostri valori e la nostra civiltà, un progetto che sia ovvio per tutti gli europei e che ci permetta di unirci (Sassoli 2022a).</p><p rend="text" ><hi >D. Teodora Barbuda de Figueiroa, fidalga de Caçarelhos, Miranda,</hi><hi > pergunta zangada </hi>à<hi > aia de D. Ifigénia Ponce de Leão,</hi><hi > que acabara de declarar que a senhora andava a viajar</hi><hi > pela Europa: </hi>«<hi >Onde </hi>é<hi > a Europa?</hi>»<hi > A nobre senhora</hi><hi > transmontana, herdeira do sangue que ergueu Portugal, personagem de </hi><hi rend="italic" >A</hi><hi rend="italic" > Queda de um Anjo</hi><hi >, de Camilo Castelo Branco,</hi><hi rend="italic" > </hi><hi >ouve </hi><hi >espantada a resposta de Tomásia: </hi>«<hi >– A Europa </hi>é<hi > este</hi><hi > mundo por onde anda a gente, minha senhora</hi>»<hi >. E </hi>é<hi > longe?, quer saber D. Teodora, «muito longe», responde a </hi><hi >outra.</hi></p><p rend="text" ><hi >Calisto, o marido, e Ifigénia, a amante brasileira, andam a</hi><hi > cultivar-se pelas capitais europeias. </hi>É<hi > um passeio que, segundo o</hi><hi > narrador, lhes limpará do espírito as teias, um desempoeirar dos</hi><hi > olhos que redimensiona Lisboa, agora terra pequena em comparação com</hi><hi > Paris ou Roma, uma emancipação do coração. Afinal, a Europa</hi><hi > não </hi>é<hi > este mundo onde anda a gente, </hi>é<hi > o</hi><hi > mundo que nos faz sentir aldeia. </hi>É<hi > a Europa que</hi><hi > se olha com certa tristeza e desalento a partir de</hi><hi > Portugal, ‘rasteiramente inferior’, como escrevia Gilberto Freyre sobre </hi><hi >a forma como a cultura luso-brasileira se sentia em relação </hi><hi >ao mundo da Europa central (cfr. Freyre 2010, 21).</hi></p><p rend="text" ><hi >Edgar</hi><hi > Morin e Mario Cerutti, na obra </hi><hi rend="italic" >La Nostra Europa</hi><hi >, </hi><hi >publicada em 2013, ao refletirem sobre a Europa das origens, </hi><hi >a Europa de hoje e o desejo de uma Europa </hi><hi >do futuro, colocam justamente a questão de se pensar por </hi><hi >linhas de um percurso simultaneamente comum e múltiplo das nações </hi><hi >que a constituem, na sua totalidade, para a sua reinterpretação </hi><hi >moderna. O que, aliás, consideram como </hi>único<hi > na cultura europeia </hi>é<hi > um pensamento que se interroga constantemente e que problematiza </hi><hi >a natureza, o homem, a razão, a fé, e se </hi><hi >caracteriza pela dialógica, isto </hi>é,<hi > por uma convivência em antagonismo. </hi><hi >Nunca, como hoje, numa </hi>época<hi > em que perigosamente nos aproximamos </hi><hi >de uma involução e uma decomposição devido a forças paralisadoras </hi><hi >e desagregantes, que se refletem na sociedade europeia em geral, </hi><hi >concluem Morin e Cerutti, as responsabilidades do pensamento e da </hi><hi >cultura foram tão grandes, pois </hi>é<hi > aí, nesse binómio, que </hi><hi >reside a mudança e a sobrevivência (cfr. Morin, e Cerutti</hi><hi > 2013).</hi></p><p rend="text" ><hi >Se, por um lado, há a ideia, bem expressa </hi><hi >por Camilo Castelo Branco no séc. XIX ou por José </hi><hi >Saramago, em </hi><hi rend="italic" >Jangada de Pedra </hi><hi >ou </hi><hi rend="italic" >A Viagem do Elefante</hi><hi >,</hi><hi > que existem países, como Portugal, que sentem a distância da</hi><hi > Europa, como bloco de países que se situam no centro</hi><hi > do continente e detêm mais poder político e económico, existe</hi><hi > igualmente a consciência de constantes latentes que nos podem salvar</hi><hi > do perigo de uma desagregação. Entende-se por esta uma fragmentação</hi><hi > não só política, mas principalmente de afetos e de sentimentos</hi><hi > de pertença, que podem levar, no interior da União Europeia,</hi><hi > </hi>à<hi > crise, </hi>à<hi > paralisia e ao desespero.</hi></p><p rend="text" ><hi >David Sassoli apontou </hi><hi >justamente na sua </hi>última<hi > intervenção como presidente do Parlamento Europeu, </hi><hi >a 16 de dezembro de 2022, intitulada </hi><hi rend="italic" >L’Europa deve </hi><hi rend="italic" >essere leale con i suoi cittadini</hi><hi >, dirigida aos chefes de</hi><hi > estado da União Europeia, a importância de pensar a Europa</hi><hi > do futuro. Se Hölderlin declarava que onde cresce o perigo,</hi><hi > cresce também o que nos pode salvar, como escrevem Morin</hi><hi > e Cerutti, também existe uma Europa histórica, cultural, social, filosófica</hi><hi > e artística com linhas de um percurso simultaneamente comum e</hi><hi > múltiplo das nações que constituem a Europa. Dessa Europa das</hi><hi > origens, a Europa de hoje tem a responsabilidade de pensar</hi><hi > o futuro, de o planear e imaginar. Só como comunidade</hi><hi > projetada, pensada a partir das tradições que a povoaram e</hi><hi > povoam, as diversas nacionalidades que a constituem podem sentir-se </hi>únicas<hi > no múltiplo e cada indivíduo se pode identificar numa sociedade</hi><hi > de indivíduos com valores e objetivos comuns.</hi></p><p rend="text" ><hi >Um projeto de </hi><hi >esperança </hi>é<hi > o que advogava David Sassoli. Criado a partir </hi><hi >da consciência da diversidade, superador de contradições entre norte e </hi><hi >sul, centro e sul, oeste e leste, de sentimentos de </hi><hi >superioridade e inferioridade, que respeite cada cidadão independentemente do lugar </hi><hi >em que nasça ou viva. Se a Europa foi sempre </hi><hi >um lugar de convivências múltiplas, muitas vezes quase impossíveis, e </hi><hi >de conflitos tantas vezes sangrentos, também foi o espaço em </hi><hi >que se desenvolveu o espírito moderno, irrequieto e questionador. O </hi><hi >que norteou essa forma de pensar, de desenvolver valores e </hi><hi >atuar foi a possibilidade de esperança, a capacidade de saber-se, </hi><hi >a partir das viagens marítimas, província do mundo, constituída por </hi><hi >um pluricentrismo dinâmico, e uma forma fluida, múltipla e una </hi><hi >que se agrega num projeto comum.</hi></p><p rend="text" ><hi >Plurilingue, reconhece nas suas línguas</hi><hi > um passado partilhado, fruto da negociação, nem sempre pacífica, das</hi><hi > heranças gregas, romanas, do norte da Europa, hebraicas, cristãs, mouras,</hi><hi > africanas, americanas. Essa história de palavras que nos unem constitui</hi><hi > o espaço europeu e permite a reinterpretação do que foi</hi><hi > para pensar o que pode ser. Sabendo-se filha de namoros</hi><hi > entre povos, culturas e línguas, a Europa reconhece a sua</hi><hi > natureza impura, mestiça – afastando, assim, sentimentos de superioridade e</hi><hi > tentativas de criação de centros que se opõem a outros</hi><hi > em empresas hegemónicas. No projeto da Europa, há objetivos comuns,</hi><hi > como escreve Sassoli – o ambiente, a justiça social, a</hi><hi > transição digital, o reforço da democracia –, mas, todos se</hi><hi > podem desfazer se não se compreender que a União </hi>é<hi > um projeto político de cidadãos, de fronteiras dessacralizadas, e não</hi><hi > apagadas por imposição, de fluxo de pessoas que responde, como</hi><hi > tão bem afirma Morin, </hi>às<hi > necessidades do neocosmopolitismo, e não</hi><hi > um projeto de abolição da variedade e da identidade nacional.</hi><hi > Um projeto político que exige, por isso, uma união face</hi><hi > aos perigos e </hi>às<hi > inseguranças internas, mas também externas, comum,</hi><hi > de responsabilidade e de constante esforço do pensamento que constrói</hi><hi > a esperança de futuro, jovem.</hi></p><p rend="text" ><hi >Há, por isso, que ultrapassar </hi><hi >a esclerose das vontades e do desânimo em relação ao </hi><hi >espaço europeu, que </hi>é<hi > também desalento em relação ao caminho </hi><hi >que percorre hoje a humanidade, e através da memória, dos </hi><hi >saberes e da </hi>ética,<hi > sonhar a nossa longevidade.</hi></p><p rend="quotation_b" >Un’Europa che innanzi tutto innova. L’innovazione di cui stiamo parlando non è solo l’innovazione tecnologica, che pure è tanto necessaria per la nostra economia. Quello di cui abbiamo bisogno è un’innovazione in tutti i settori, un rinnovato senso di creatività, per le nostre istituzioni, per le nostre politiche, per i nostri modi di agire e anche per i nostri stili di vita, poiché è ciò che la transizione ecologica richiede. […] E queste innovazioni non ci esimono neppure dall’adeguare il nostro quadro finanziario alle sfide del nostro secolo, riformando in maniera realista il Patto di stabilità e crescita. Non possiamo più ingabbiare il nostro futuro e quello dei nostri figli nella regola del 3% (Sassoli 2022a).</p><p rend="text" ><hi >David</hi><hi > Sassoli lembra quanto para a Europa são absolutamente essenciais</hi><hi > a inovação e a criatividade: para a economia, para o</hi><hi > ambiente, para as instituições, para as políticas, em todos os</hi><hi > setores. As raízes da evolução da cultura ocidental estão, segundo</hi><hi > o que defende o filósofo italiano Vittorio Mathieu, profundamente ligadas,</hi><hi > por um lado, ao encontro e confronto cultural entre povos,</hi><hi > gentes e tradições diferentes, por outro, ao espírito científico. Um</hi><hi > dos vetores que caracteriza as nações europeias </hi>é<hi > justamente a</hi><hi > sua essência </hi><hi rend="italic" >ad ventura</hi><hi > (tendo na figura de Ulisses, passando,</hi><hi > depois, pelos cavaleiros errantes, pelos navegadores e pelos cientistas, a</hi><hi > sua materialização) que procura tornar o desconhecido em algo conhecido</hi><hi > através da procura e do encontro – com terras, povos,</hi><hi > culturas e tradições (cfr. Mathieu 2002, 15). O outro</hi><hi > vetor a considerar, de acordo com o estudioso, </hi>é<hi > o</hi><hi > espírito científico, o encontro e a confrontação entre o homem e</hi><hi > o real e a construção de saberes no campo das</hi><hi > humanidades e nas ciências exatas.</hi></p><p rend="text" >É<hi > significativo que o estudioso </hi><hi >tenha escolhido como título da primeira parte do seu livro </hi><hi rend="italic" >A Navegação</hi><hi > – no processo de experiência com novas gentes </hi><hi >e terras, o </hi>único<hi > perigo </hi>é<hi > o esquecimento do centro, </hi><hi >do lugar de origem, dos seus valores de base. Muitas </hi><hi >são as questões que desafiam o homem moderno em termos </hi><hi >de </hi>ética<hi > na ciência, dos valores e da responsabilidade. Se </hi><hi >histórica e sociologicamente o homem ocidental, pelo seu caráter ‘irrequieto</hi><hi >’, pelo movimento, quer físico, quer das ideias, nunca esteve</hi><hi > confinado a ser uma mónade, um organismo simples ou muito</hi><hi > pequeno, também nunca deixou de se questionar sobre como a</hi><hi > criatividade e a inovação são geradoras de mudanças, positivas e</hi><hi > negativas, e de como as enfrentar. Daí que Sassoli refira</hi><hi > a importância do estabelecimento de normas, em particular no que</hi><hi > toca aos novos setores da economia, relevando o caminho realizado</hi><hi > na proteção dos dados pessoais e no que falta fazer</hi><hi > em relação </hi>à<hi > regulamentação dos mercados digitais, de forma a</hi><hi > evitar que os gigantes da web legislem no lugar dos</hi><hi > cidadãos.</hi></p><p rend="text" ><hi >Setores como a energia, o ambiente, as tecnologias, a </hi><hi >alimentação, a saúde são essenciais para um crescimento harmónico da </hi><hi >própria Europa, quer no campo interno, quer internacional, e o </hi><hi >estabelecimento de uma política de empenho e apoio da inovação </hi><hi >e criatividade </hi>é<hi > fundamental. Sassoli sublinha o inovar e o </hi><hi >divulgar como um binómio que só se compreende em associação, </hi><hi >no sentido de reforçar a segurança e proteger os cidadãos.</hi></p><p rend="text" >É<hi > importante, no entanto, considerar que a inovação para Sassoli não</hi><hi > </hi>é<hi > um corte com o passado. De facto, não se</hi><hi > pode pensar um futuro para a Europa sem se compreender</hi><hi > a sua história humanística e científica, tecida no diálogo e</hi><hi > na ampla divulgação do conhecimento pelos vários países que formam</hi><hi > o continente. Ernst Robert Curtius, em </hi><hi rend="italic" >European Literature and the</hi><hi rend="italic" > Latin Middle Ages</hi><hi > (1948), lembra que a Europa de hoje</hi><hi > nasceu de um ambiente de latinidade partilhada, até pelos países</hi><hi > anglo-saxónicos e germânicos. O passado que nos une deve, por</hi><hi > isso, forçosamente fazer refletir sobre a cultura humanística e a</hi><hi > importância que esta deu ao </hi><hi rend="italic" >ethos</hi><hi >, ao comportamento </hi>ético<hi > </hi><hi >do homem e da sociedade e </hi>à<hi > reflexão que permitiu </hi><hi >o desenvolvimento do conhecimento. O esquecimento, por um lado, e </hi><hi >a cristalização, por outro lado, em </hi>última<hi > análise, são ambas </hi><hi >atitudes de desagregação do passado, que levam a uma atitude </hi><hi >distorcida da perceção e compreensão do presente, colocando em risco </hi><hi >o futuro. O autor ilustra, por isso, como o conhecimento </hi><hi >deve ser entendido, chamando a atenção para uma formação do </hi><hi >homem que propicie </hi>«a<hi > widening and a clarification of consciousness» </hi><hi >(Curtius 1963, 3).</hi></p><p rend="quotation_b" >[…] Un’Europa che protegge. Dobbiamo ripristinare l’idea che l’Europa ci protegge, l’Europa protegge i suoi confini, i suoi cittadini, agisce per la loro sicurezza, per il bene comune e per la sovranità di ciascuno dei suoi Stati membri. […] Significa in primo luogo rafforzare la nostra politica di difesa e di sicurezza comune in modo da poter intervenire insieme più rapidamente e con maggiore incisività quando sono minacciati i nostri interessi. […] Proteggere gli europei significa anche saper rafforzare con determinazione l’integrazione delle nostre politiche di gestione della migrazione e delle frontiere esterne (Sassoli 2022a).</p><p rend="text" ><hi >Eram conhecidas as preocupações </hi><hi >de David Sassoli com as tentativas hegemónicas e imperialistas vindas </hi><hi >de países que hoje ameaçam a estabilidade europeia. Quando Moscovo, </hi><hi >em abril de 2021, anunciou sanções a vários funcionários da </hi><hi >União Europeia, entre os quais o próprio presidente do Parlamento </hi><hi >Europeu e a vice-presidente da Comissão Europeia, Vera Jourova, com </hi><hi >o pelouro dos Valores e da Transparência, Sassoli reagiu no </hi><hi >Twitter: </hi>«<hi >A quanto pare, non sono il benvenuto al</hi><hi > Cremlino? </hi>Lo sospettavo un po’. Nessuna sanzione o intimidazione fermerà il Parlamento europeo o me dalla difesa dei diritti umani, della libertà e della democrazia. Le minacce non ci zittiranno. Come ha scritto Tolstoj, non c’è grandezza dove non c’è verità» (Sassoli 2022b).</p><p rend="text" ><hi >Sassoli lembrava </hi>à<hi > Rússia que a sua cultura também tinha sido ao </hi><hi >longo dos anos a verdade e a liberdade através da </hi><hi >citação de um dos seus maiores autores, realçando, desta forma, </hi><hi >o facto de que a nação que o sancionava fazia </hi><hi >igualmente parte de uma tradição que a aproximava dos restantes </hi><hi >europeus. Todavia, e apesar da firmeza da reação, como alto </hi><hi >responsável de um dos </hi>órgãos<hi > máximos da União, sentia o </hi><hi >perigo da debilidade da Europa política face a uma crise </hi><hi >mundial: se se tinha conseguido lidar e responder em grupo </hi><hi >a uma pandemia, como seria em caso de perigo nas </hi><hi >fronteiras da União? Conhecia as diversas forças centrífugas que se </hi><hi >multiplicavam no interior do espaço europeu, o facto de que </hi><hi >se deveria lidar com a falta de uma verdadeira política </hi><hi >externa e de defesa comum, o défice democrático que se </hi><hi >desenhava em alguns países da União, a força dos interesses </hi><hi >financeiros e o peso de uma máquina burocrática e de </hi><hi >gestão que dificulta a tomada de decisões.</hi></p><p rend="text" ><hi >Proteger os cidadãos europeus</hi><hi > passava também, para Sassoli, por encontrar soluções que não abandonassem</hi><hi > o cidadão </hi>à<hi > pobreza energética e </hi>às<hi > tentações de lucro</hi><hi > fácil dos mercados mundiais. Uma vida condigna, um salário decente</hi><hi > e correspondente ao trabalho realizado, o direito de cada um</hi><hi > de ver satisfeitas as próprias necessidades exigiam, assim, para o</hi><hi > presidente do Parlamento, medidas audazes para enfrentar momentos que podiam</hi><hi > vir a ser críticos. Parecia prever o que se seguiria</hi><hi > após a invasão russa da Ucrânia e o seu </hi>último<hi > discurso deve ser o primeiro do qual hoje os funcionários</hi><hi > da União se devem lembrar quando analisam a presente conjuntura.</hi></p><p rend="text" ><hi >Citar um romancista russo sublinha, também, a valorização da mentalidade </hi><hi >humanista que norteou o discurso e a posição de David </hi><hi >Sassoli. O projeto europeu corresponde a uma ideia fundada na </hi><hi >solidariedade, no conhecimento, no diálogo que põe em contacto povos </hi><hi >além das suas fronteiras. Nunca a Europa precisou tanto dos </hi><hi >seus escritores, pensadores e homens de cultura como hoje. A </hi><hi >convivência histórica na Europa, caracterizada por momentos de grande dor </hi><hi >e por equilíbrios difíceis entre religião, direito, arbítrio e democracia, </hi><hi >levou ao longo dos séculos a uma questionação do homem, </hi><hi >que </hi>é<hi > essencial </hi>à<hi > liberdade, e </hi>à<hi > criação de valores </hi><hi >partilhados que colocam no centro o respeito pelo outro.</hi></p><p rend="text" ><hi >Os fluxos</hi><hi > migratórios descontrolados trouxeram nas </hi>últimas<hi > décadas </hi>às<hi > populações que os</hi><hi > acolhem problemas que têm tido de enfrentar muitas vezes sozinhas.</hi><hi > A falta de uma política conjunta da União Europeia no</hi><hi > campo das migrações e dos refugiados tem sido alvo de</hi><hi > crítica em vários países e explorada por partidos que se</hi><hi > situam na extremidade do espetro político. Alavancada no descontentamento de</hi><hi > quem se encontrou impreparado para receber as vagas de pessoas</hi><hi > que fogem da pobreza, das perseguições políticas e religiosas e</hi><hi > das guerras, a extrema direita ganhou fôlego na Europa, provocando</hi><hi > em alguns territórios um défice democrático e uma verdadeira crise</hi><hi > de valores. </hi>É<hi > por essa razão que Sassoli coloca as</hi><hi > migrações como uma das problemáticas principais da política europeia dos</hi><hi > anos vindouros.</hi></p><p rend="text" ><hi >A Europa nasceu do encontro de povos e </hi><hi >sempre foi um espaço multicultural, não havendo nem raças, nem </hi><hi >culturas ‘puras’. Lembrar os cidadãos desse facto </hi>é<hi > uma</hi><hi > das funções da União Europeia: deve ter, por isso, uma</hi><hi > função pedagógica, social e direcionada quer </hi>à<hi > inclusão e coesão</hi><hi > no interior do espaço europeu, que passe pela constatação do</hi><hi > inevitável encontro e convivência com diferentes povos e culturas de</hi><hi > outros espaços.</hi></p><p rend="text" ><hi >Para Juan Goytisolo, falar no multiculturalismo e em </hi><hi >costumes tradicionais, bons ou maus, parece</hi></p><p rend="quotation_b" ><hi >una redundancia pues toda cultura</hi><hi > – la española, la francesa, la italiana o la </hi>árabe<hi > – es la suma de las influencias exteriores que ha</hi><hi > recibido a lo largo de su historia, y la lista</hi><hi > de </hi>éstas<hi > es en la nuestra larguísima. En cuanto a</hi><hi > los usos y costumbres de otros países, musulmanes y no</hi><hi > musulmanes, que no choquen con los principios del Estado de</hi><hi > derecho pueden ser enriquecedores para el conjunto de nuestra sociedad</hi><hi > globalizada (Goytisolo 2008, 347).</hi></p><p rend="text" ><hi >Jacques Le Goff também lembra a</hi><hi > importância da mistura de populações na história europeia, feita </hi><hi >de assimilações e cruzamentos, como, por exemplo, com a chegada </hi><hi >em massa dos ‘bárbaros’ ao império romano, o estabelecimento </hi><hi >do comércio entre o norte e o sul, a troca </hi><hi >de hábitos e termos linguísticos (cfr. Le Goff 2008, </hi><hi >38-9).</hi></p><p rend="text" ><hi >Para o estudioso, a sorte da Europa tem a ver,</hi><hi > justamente, com esta longa história de convivência e interação entre</hi><hi > os povos: aliás, sublinha, a ‘pureza </hi>étnica<hi >’ não existe</hi><hi > no espaço europeu, porque o cruzamento entre as populações </hi>é<hi > a lei das sociedades humanas e sem ele estas seriam</hi><hi > estéreis e limitadas. Os povos que se formaram de cruzamentos</hi><hi > e que possuem várias culturas no seu espaço, continua o</hi><hi > autor, são geralmente mais ricos e fecundos em termos de</hi><hi > cultura e instituições, sendo a mobilidade e mistura das populações</hi><hi > uma fonte de progresso.</hi></p><p rend="text" ><hi >O mesmo escrevera Eduardo do Prado </hi><hi >Coelho: ao aceitarmos a energia da mestiçagem como matriz de </hi><hi >toda a cultura, estamos, no fundo, a dizer que a </hi><hi >cultura europeia também </hi>é<hi > mestiça e que </hi>é<hi > como </hi>«toda<hi > </hi><hi >a cultura, isto </hi>é,<hi > todas as culturas, na medida em </hi><hi >que se comunicam e traduzem na linguagem da razão universal. </hi>É<hi > por isso que a cultura europeia não se mundializa </hi><hi >por acaso; mundializa-se por essência» (Coelho 1997, 86).</hi></p><p rend="text" ><hi >Há, assim, </hi><hi >segundo Sassoli, de ter uma especial preocupação com as políticas </hi><hi >de acolhimento e ajuda, não esquecendo a essência e as </hi><hi >bases da cultura europeia, mas criando diretrizes comuns e de </hi><hi >entreajuda entre os povos europeus, diminuindo desta forma a existência </hi><hi >de conflitos e aproveitamentos passíveis de desagregar as comunidades. Aos </hi><hi >homens de cultura cabe pugnar pela </hi>ética<hi > e por um </hi><hi >novo humanismo que dê ao indivíduo responsabilidade e sentido do </hi><hi >valor das suas escolhas, relembrando que cabe a todos refletir </hi><hi >sobre a questão moral, o sentido e a justiça.</hi></p><p rend="quotation_b" >Più che la resilienza, l’Europa deve quindi ritrovare l’orgoglio del suo modello democratico. […] Mi auguro che il prossimo 9 maggio, data in cui si celebra la Giornata dell’Europa, sia l’occasione di una manifestazione comune, forte e unitaria, che testimoni del nostro impegno comune per il progetto europeo e per i valori e la civiltà che trasmette (Sassoli 2022a).</p><p rend="text" ><hi >Walter Laqueur coloca, em</hi> <hi rend="italic" >Fascismi. Passato, Presente, Futuro,</hi><hi > a questão das perspetivas do fascismo, neofascismo, neonazismo (podemos acrescentar</hi><hi > da nova extrema direita 2.0), na Europa e na América</hi><hi > do século XXI, a partir da pergunta sobre o que</hi><hi > poderia vir a acontecer se os regimes democráticos ocidentais se</hi><hi > demonstrassem incapazes de enfrentar os desafios que os colocam </hi>à<hi > prova (Laqueur 2008, 296). A falta de confiança nos </hi><hi >partidos políticos, o medo de perder a soberania territorial e </hi><hi >social e a proliferação de ideologias extremistas são consideradas pelo </hi><hi >autor verdadeiros perigos </hi>à<hi > sobrevivência da democracia, mas o seu </hi><hi >otimismo em relação ao caminho percorrido até hoje nas sociedades </hi><hi >democráticas abre um horizonte de esperança na manutenção da liberdade </hi><hi >e na defesa dos direitos adquiridos.</hi></p><p rend="text" ><hi >Confiança, mas não ingenuidade, </hi>é<hi > o que transmitiu José Saramago numa entrevista ao </hi><hi rend="italic" >Corriere della</hi><hi rend="italic" > Sera</hi><hi >, em 26 de março de 2007:</hi></p><p rend="quotation_b" >Io credo che ci sia la possibilità che il fascismo stia aspettando di tornare in Europa. Non verrà con le camicie nere, né brune, né cose simili. […] Ma il fascismo non si nasconde più. È lì, è uscito in strada, è arrivato anche sui media. E può succedere che ci troviamo in una situazione politica prefascista senza rendercene conto. E che improvvisamente il fascismo arrivi a governare. E noi continuiamo a non rendercene conto. Perché la facciata si mantiene. <hi >E la</hi><hi > facciata </hi>è<hi > l’illusione democratica (Saramago 2007).</hi></p><p rend="text" >É<hi > necessário, por</hi><hi > isso, não deixar de renovar o </hi>«<hi >nosso projeto europeu</hi>»<hi >, como o define Sassoli, usando um pronome que nos </hi><hi >une e responsabiliza, e que passa, de acordo com o </hi><hi >discurso que proferiu no Parlamento Europeu, por </hi>«<hi >inovar, proteger, divulgar</hi>»<hi >. Permito-me fazer recurso a um grande escritor, político e</hi><hi > estadista, Emilio Lussu, para relembrar o que escreveu sobre ‘</hi><hi >autonomia’. Para Lussu, a autonomia </hi>é<hi > um problema específico </hi><hi >das estruturas institucionais, sendo necessário identificar caminhos, possíveis e democráticos, </hi><hi >para transformar o Estado num Estado das comunidades, com estruturas </hi><hi >que garantam a imparcialidade, as energias focadas no social, protegendo </hi><hi >os cidadãos dos interesses que os possam controlar (cfr. Caboni, e </hi><hi >Ortu 2001). Para isso, o político e teórico considera essencial </hi><hi >o conhecimento adquirido por parte da comunidade, tanto a nível </hi><hi >social, quanto cultural, e o estabelecimento de uma relação de </hi><hi >confiança entre os cidadãos e as instituições, relação esta na </hi><hi >qual o cidadão não se sente tratado como parte de </hi><hi >uma massa acrítica, mas cuja colaboração </hi>é<hi > essencial </hi>à<hi > democracia.</hi></p><p rend="text" ><hi >Baseia,</hi><hi > por isso, Sassoli, como Lussu, o projeto de uma comunidade</hi><hi > de comunidades na comunicação a nível amplo das ideias, envolvendo</hi><hi > os cidadãos na participação. </hi>É<hi > inútil ter ideias progressistas se</hi><hi > elas não são bem transmitidas e não chegam a todos,</hi><hi > porque a informação e o saber, a formação e a</hi><hi > discussão, são os verdadeiros instrumentos de um projeto coeso, participado</hi><hi > e dinâmico. Por isso, a par da inovação e da</hi><hi > proteção, o presidente do Parlamento Europeu colocou a divulgação como</hi><hi > pilar da Europa do futuro</hi>: “La nostra Unione è imperfetta, è sempre in divenire”.</p><p rend="text" ><hi >Se a Europa foi (e </hi>é-o<hi > ainda hoje) lugar de lutas e sangue, o espaço da</hi><hi > União Europeia representa um ambiente que tem as condições para</hi><hi > que os cidadãos possam participar na gestão do bem comum</hi><hi > através da participação democrática. Temos a opção de mudar pelo</hi><hi > voto o que não está bem, de sugerir, de criticar</hi><hi > e de circular livremente por muitas pátrias ou muitas mátrias,</hi><hi > se escolhermos pensar na nossa viagem como caracterizada pela curiosidade</hi><hi > do espanto infantil. O facto </hi>é<hi > que vamos incorporando vários</hi><hi > territórios na nossa geografia afetiva, se olharmos para a Europa</hi><hi > com disponibilidade, sem medos e com responsabilidade. Sassoli relembra-nos que</hi><hi > a União Europeia </hi>é<hi > o que conheço agora, mas também</hi><hi > </hi>é<hi > aquela que se pode sempre tornar melhor, especialmente se</hi><hi > deixar nela uma parte de mim, como o político italiano</hi><hi > fez. O que nos deixou foi a recusa do </hi>«<hi >sempre foi assim</hi>»<hi >, do </hi>«é<hi > o que há</hi>»<hi >,</hi><hi > e a aposta na renovação, sem desistências e sem deixar</hi><hi > aos outros a decisão, conscientes da própria responsabilidade. Sassoli concebeu</hi><hi > a União como ‘nossa’ e não apenas dos que</hi><hi > estão nos gabinetes, vaticinou-lhe um amanhã e indicou, no seu</hi><hi > discurso aos chefes de Estado e a todos os europeus,</hi><hi > um caminho de </hi>ética,<hi > compromisso e irrequieto espírito de juventude,</hi><hi > isto </hi>é<hi > de futuro. Imperfeita, a União faz-se, assim, sem</hi><hi > esquecer a história, mas sem cristalizações, em projeto.</hi></p><p rend="h2" >Referências bibliográficas</p><p rend="bib_indx_bib" >Caboni, G., e Ortu, G. 2001. <hi rend="italic">Emilio Lussu. L’Utopia del</hi><hi rend="italic"> Possibile</hi>. Cagliari: Cuec - Cooperativa Universitaria Editrice Cagliaritana.</p><p rend="bib_indx_bib" >Coelho, E. P. 1997. <hi rend="italic">O Cálculo das Sombras</hi>. Porto: Asa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Curtius, E. R. 1968. <hi rend="italic" >European Literature and the Latin Middle Ages</hi><hi >. </hi>New York: Harper &amp; Row.</p><p rend="bib_indx_bib" >Goytisolo, J. 2008. “Convivencia con el islam.” <hi rend="italic">Quaderns de la Mediterrània </hi>10: 343-47.</p><p rend="bib_indx_bib" >Laqueur, W. 2008. <hi rend="italic">Fascismi. Passato, presente, futuro</hi>. Milano: Marco Tropea Editore.</p><p rend="bib_indx_bib" >Le Goff, J. 2008. <hi rend="italic">L’Europa Raccontata da Jacques Le Goff</hi>. Roma: Editori Laterza. </p><p rend="bib_indx_bib" >Mathieu, V. 2002. <hi rend="italic">Le Radici Classiche dell</hi><hi rend="italic">’Europa</hi>. Milano: Spirali.</p><p rend="bib_indx_bib" >Morin, E., e Ceruti, M. 2013. <hi rend="italic">La</hi><hi rend="italic"> Nostra Europa</hi>. Milano: Rafaello Cortina.</p><p rend="bib_indx_bib" >Saramago, J. 2007. “Nessun progetto, così l’Unione ha fallito.” Intervista rilasciata da A. Coppola. <hi rend="italic">Corriere della Sera,</hi> 26 marzo, 2007. </p><p rend="bib_indx_bib" >Sassoli, D. 2022a. “Europa che innova, protegge e fa da modello democratico. Il progetto di speranza per l’UE di David Sassoli.” <hi rend="italic">Eunews</hi>. <ref target="https://www.eunews.it/2022/01/11/europa-che-innova-protegge-e-fa-da-modello-democratico-il-progetto-di-speranza-per-lue-di-david-sassoli/">https://www.eunews.it/2022/01/11/europa-che-innova-protegge-e-fa-da-modello-democratico-il-progetto-di-speranza-per-lue-di-david-sassoli/</ref> (10/22).</p><p rend="bib_indx_bib" >Sassoli, D. 2022b. “Putin dichiarò@David Sassoli.” Gianni Riotta on Twitter. <ref target="https://twitter.com/riotta/status/1497548211036241922">https://twitter.com/riotta/status/1497548211036241922</ref> (10/22).</p>




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        <listBibl>
          <head>References</head>
          <bibl n="95475">Caboni, G., e Ortu, G. 2001. Emilio Lussu. L’Utopia del Possibile. Cagliari: Cuec - Cooperativa Universitaria Editrice Cagliaritana.</bibl>
          <bibl n="95652">Coelho, E.P. 1997. O C&amp;#225;lculo das Sombras. Porto: Asa</bibl>
          <bibl n="95554">Curtius, E.R. 1968. European Literature and the Latin Middle Ages. New York: Harper &amp;amp; Row.</bibl>
          <bibl n="95555">Goytisolo, J. 2008. “Convivencia con el islam”. In Quaderns de la Mediterr&amp;#224;nia 10: 343-347</bibl>
          <bibl n="95578">Laqueur, W. 2008. Fascismi. Passato, presente, futuro. Milano: Marco Tropea Editore.</bibl>
          <bibl n="95586">Le Goff, J. 2008. L’Europa Raccontata da Jacques Le Goff. Roma: Editori Laterza.</bibl>
          <bibl n="95621">Mathieu, V. 2002. Le Radici Classiche dell’Europa. Milano: Spirali.</bibl>
          <bibl n="95607">Morin, E., e Ceruti, M. 2013. La Nostra Europa. Milano: Rafaello Cortina.</bibl>
          <bibl n="95477">Saramago, J. 2007. “Nessun progetto, cos&amp;#236; l&amp;#39;Unione ha fallito”. Intervista rilasciata da A. Coppola. Corriere della Sera, 26 marzo.</bibl>
          <bibl n="95320">Sassoli, D. 2022a. “Europa che innova, protegge e fa da modello democratico. Il progetto di speranza per l&amp;#39;UE di David Sassoli”. Eunews. https://www.eunews.it/2022/01/11/europa-cheinnova- protegge-e-fa-da-modello-democratico-il-progetto-di-speranza-per-lue-di-davidsassoli/ (10/22).</bibl>
          <bibl n="95465">Sassoli, D. 2022b. “Putin dichiar&amp;#242;@David Sassoli”. Gianni Riotta on Twitter. https://twitter.com/riotta/status/1497548211036241922 (10/22).</bibl>
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