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        <title type="main" level="a">«Amarás o próximo como a ti mesmo»</title>
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          <persName n="1" ref="https://orcid.org/0000-0002-0680-9164" type="ORCID">
            <forename>Isabel Ponce de</forename>
            <surname>Leão</surname>
            <placeName type="affiliation">Universidade Fernando Pessoa, Porto, France</placeName>
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          <resp>This is a section of <title>Europa: um projecto em construção</title>(DOI: <idno type="DOI">10.36253/979-12-215-0010-3</idno>) by </resp>
          <name>Michela Graziani, Annabela Rita</name>
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        <publisher>Firenze University Press</publisher>
        <pubPlace>Firenze</pubPlace>
        <date when="2023">2023</date>
        <idno type="DOI">https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.28</idno>
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          <p>Available for academic research purposes</p>
          <p>Open Access</p>
          <p>Copyright Author(s)</p>
          <licence source="text" target="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode">
            <p>Content licence CC BY 4.0</p>
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        <p>This is original content, published for academic research purposes</p>
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      <abstract xml:lang="en">
        <p>You will love the next as you love yourself was the motto of life and work of David Sassoli, born communicator, who understanded that thought art we fight for any United and democratic Europe who innovates, protects and enlights. Six plastic artist understood his message and translated into different languages prolonging his plea.</p>
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            <item>Sassoli</item>
            <item>Europe</item>
            <item>Art</item>
            <item>Communication</item>
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      <p>It is available online at https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.28<ref target="https://doi.org/10.36253/979-12-215-0010-3.28" /></p>

<p rend="h1_chapter" >«<hi >Amarás o próximo como a </hi><hi >ti mesmo</hi>»</p><p rend="h1_author" >Isabel Ponce de Leão</p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_1" >You will love the next as you love yourself.</p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_3" >(David Sassoli) </p><p rend="text" ><hi >Quando o </hi><hi >escritor anglo-americano Wystan Hugh Auden (1907-1973) questionou a liberdade pela </hi><hi >arte, contraditando o poeta inglês Percy Bysshe Shelley (1792-1822), não </hi><hi >o fez para romper com ideias românticas, outrossim para chamar </hi><hi >a atenção para questões de livre arbítrio e incontroversos limites </hi><hi >do seu exercício através de opções livres e definidas, perseguindo </hi><hi >a perspetiva shakespeariana da arte enquanto espelho do ser humano </hi><hi >e da própria natureza. Por isso, aludiu a três tipos </hi><hi >de escolhas: de ação, de juízo de valor e de </hi><hi >autoridade, enquanto limites do exercício da liberdade, fazendo notar a </hi><hi >leviandade da arbitrariedade descontrolada. Questionando, implicitamente embora, tentativas de definições </hi><hi >de arte postuladas por Clive Bell, Morris Weitz, George Dickie</hi><hi > ou Nelson Goodman, preferiu olhar a arte como um jogo,</hi><hi > cujas regras devem ser respeitadas; ao preservar o indissociável binómio</hi><hi > criação / criador, perseguiu um dos </hi><hi rend="italic" >Dez Mandamentos ou Decálogo</hi><hi > escritos nas </hi><hi rend="italic" >Tábuas da Lei</hi><hi > entregues a Moisés no Monte</hi><hi > Sinai, posteriormente, registados em </hi><hi rend="italic">Êxodo</hi><hi rend="italic" > </hi><hi >(20, 1-17 e 34, </hi><hi >28)</hi><hi rend="italic" > e Deuteronómio </hi><hi >(5, 6-22 e 4, 13; 10, 4)</hi><hi rend="italic" > do Antigo Testamento</hi><hi >: </hi>«amarás<hi > o próximo como a ti </hi><hi >mesmo». Esse amor reveste-se, antes de mais, de um profundo </hi><hi >respeito pelas multidões, pelas sociedades e pelas comunidades honrando sempre </hi><hi >as idiossincrasias grupais.</hi></p><p rend="text" ><hi >Auden, pospondo, mas não descartando, o espírito </hi><hi >prazeroso da arte, reclama a sua função de espelho onde </hi><hi >a sociedade se reflete, assim a envolvendo no mundo real. </hi><hi >Realidade e liberdade são, pois, epítetos que cabem </hi>à<hi > obra </hi><hi >de arte que </hi>«<hi >dá prazer, o prazer da curiosidade despreocupada</hi><hi > […] [e] amplia o campo da liberdade» (Auden 2019) </hi><hi >abrindo espíritos para novas e renovadas experiências e dilatando o </hi><hi >dom criativo, sem nunca esquecer os direitos e os deveres </hi><hi >que lhes são, intransigentemente, inerentes.</hi></p><p rend="text" ><hi >Por isso a arte, tem, em</hi><hi > termos estéticos e cognitivos, a capacidade de promover diálogos e</hi><hi > influenciar a mundividência sensorial e intelectual do ser humano, ajudando-o</hi><hi > a perceber e sentir, com sentido crítico, o mundo em</hi><hi > que vive, e empossando-o de uma cidadania ativa e consciente,</hi><hi > longe de dogmas e estereótipos, mas sempre ‘amando o </hi><hi >outro como a si próprio’.</hi></p><p rend="text" ><hi >Será, pois, este o grande</hi><hi > papel da arte na inabalável materialização do sonho europeu acalentado</hi><hi > por David Maria Sassoli (</hi><hi rend="CharOverride-1">1956</hi><hi >-</hi><hi rend="CharOverride-1">2022</hi><hi >) que, na sua</hi><hi > qualidade de profissional da comunicação, alertou para o facto de</hi><hi > que, só através dela, se alcançaria a liberdade aglutinadora dos</hi><hi > povos. Enquanto serviu no Parlamento Europeu (2019-2022), revelou as suas</hi><hi > convicções europeístas sem nunca descurar a liberdade individual dos cidadãos.</hi><hi > São dele as seguintes palavras proferidas no Conselho Europeu em</hi><hi > dezembro de 2021: </hi>«Do<hi > que a Europa precisa – e precisa</hi><hi > acima de tudo – </hi>é<hi > de um novo projeto de esperança.</hi><hi > Penso que podemos construir esse projeto com base numa abordagem</hi><hi > robusta, com três vertentes: uma Europa que inova; uma Europa</hi><hi > que protege; e uma Europa que ilumina» (Sassoli 2021).</hi></p><p rend="text" ><hi >Ora,</hi><hi > as três vertentes assim definidas presentificam-se em obras de arte</hi><hi > agilizadoras da interligação economia, mente, ciência e cultura enquanto pré-requisitos</hi><hi > da liberdade individual e da democracia europeia. Por elas e</hi><hi > com elas se homenageia David Sassoli mestre de uma comunicação</hi><hi > agregadora.</hi></p><p rend="text" ><hi >Convoco uma defensável linha baudelairiana, e digo da sensação </hi><hi >de arrebatamento perante objetos estéticos de Afonso Pinhão Ferreira, Do </hi><hi >Carmo Vieira, Fernando Hilário, Hélder Bandarra, Hélder Carvalho e José </hi><hi >Rosinhas. As obras aqui presentes, usando palavras de Clive Bell,</hi><hi > estão longe dos </hi>«escuros<hi > vales da mera imitação» (Bell 2009</hi><hi >, 8), antes veiculam bons estados mentais, sempre em estreita </hi><hi >cumplicidade com a vida e em demanda do conhecimento, na </hi><hi >senda da liberdade inerente ao projeto em construção europeísta sustentado </hi><hi >pela tríade acima anunciada: inovar, proteger e iluminar.</hi></p><p rend="text" ><hi >Afonso Pinhão Ferreira</hi><hi > acredita na Europa enquanto processo em construção e, metonimicamente, dá</hi><hi > conta da construção da sua obra. Interioriza e reflete sobre</hi><hi > o seu projeto enformando-o nuns esquissos orientadores que mais não</hi><hi > são que os ensaios que dão forma ao imaginado. A</hi><hi > seguir, o carvão delineia o esboço base na tela eleita</hi><hi > e, sibilinamente, assoma o desenho definitivo. As opções cromáticas sugerem</hi><hi > as três dimensões de forma viva e harmónica em consonância</hi><hi > com o perfil do retratado. O silêncio </hi>é<hi > cortado. Linhas</hi><hi > complementares corporizam e uniformizam a obra enquanto um todo (</hi>Figuras 1, 2, 3)<hi >.</hi></p><p rend="text" ><hi >Perguntei ao artista – </hi><hi >médico de profissão, de cuja prática a sua arte também </hi><hi >vive – sobre o percurso do seu projeto em construção, </hi><hi >agora já concluído. Assim me disse Afonso Pinhão Ferreira:</hi></p><p rend="quotation_b" ><hi >O homenageado,</hi><hi > a União Europeia, a fusão do homem com o projeto</hi><hi > representada nesta tatuagem facial. Enfim, a lágrima no olho direito</hi><hi > que mais não </hi>é<hi > que o país egoísta que escureceu</hi><hi > a cultura integracionista. Como a pintura ficaria mais harmoniosa e</hi><hi > simétrica se a pele abaixo do olho direito fosse alaranjada!</hi><hi > Disso não sabiam os ingleses quando votaram, caso contrário, o</hi><hi > resultado poderia ser diferente! Não quereriam por decerto estragar a</hi><hi > minha pintura. A Noruega situa-se na zona cerebral, constituindo-se sempre</hi><hi > numa hipótese integracionista futura. Os países do Leste Europeu, estão</hi><hi > ainda longe de habitarem a derme facial integradora do Jornalista</hi><hi > e Presidente do Parlamento Europeu. O olhar calculista, emocionalmente incerto,</hi><hi > onde se nota uma certa amargura chamada </hi><hi rend="italic" >brexit</hi><hi > e, ao</hi><hi > mesmo tempo, uma certa aposta num futuro mais coeso. Um</hi><hi > homem que mostra que importa a convicção nos projetos humanos.</hi><hi > Um exemplo, daí a homenagem.</hi></p><p rend="text" ><hi rend="italic" >David Sassoli acreditou. E nós</hi><hi > </hi><hi >igualmente acreditamos (</hi>Figura 4)<hi >.</hi></p><p rend="text" ><hi >Exímia retratista, Do Carmo Vieira afirma ter-se inspirado </hi><hi >em depoimentos da imprensa para elaborar o retrato de Sassoli.</hi><hi > Frases como: </hi>«Uma<hi > personalidade calorosa, autêntica, sorridente»; </hi>«um<hi > homem de</hi><hi > rara bondade, cujo sorriso, visão e ideias eram suficientemente amplos</hi><hi > para um continente»; </hi>«amizade<hi > e um comportamento exemplar» (Letta </hi><hi >2021) estiveram na génese criativa deste </hi><hi rend="italic" >Tributo a David Sassoli</hi><hi >.</hi><hi > O género retratístico </hi>é,<hi > porventura, aquele que tem mais capacidade</hi><hi > para traduzir valores sociais, individuais e culturais; ao dar a</hi><hi > possibilidade de recuperar a história, concilia a dinâmica entre o</hi><hi > artista, o mecenas e a obra de arte que determinam</hi><hi > o seu significado criando o ‘triângulo de envolvimento’ a</hi><hi > que alude Michael Baxandall. A expressão visual da autoperceção </hi><hi >de alguém, dos seus valores e das suas ambições, ainda </hi><hi >que clivada pela subjetividade do artista, dá a noção da </hi><hi >sua notoriedade. O enigma está em interpretar os vários elementos </hi><hi >que o compõem. Aqui e agora a amplitude do sorriso, </hi><hi >o olhar brilhante e condescendente, a naturalidade do cabelo parecem </hi><hi >dar a exata medida do homem que esteve ao leme </hi><hi >da Europa. Para Do Carmo Vieira interessa mais o caráter </hi><hi >que a fisionomia, mas esta </hi>é<hi > espelho daquele. A formalidade </hi><hi >do traje insere o retratado no contexto político-social em que </hi><hi >se movia. Ultrapassando o retrato físico – belo por certo </hi><hi >– interessa aqui o retrato moral, misto de esperança e </hi><hi >otimismo, de brandura e determinação, de lealdade e bondade, expressão </hi>ética<hi > e estética da liberdade pela arte, enquanto fator de </hi><hi >comunicação, de um dos grandes gestores do sonho europeu. Pela </hi><hi >mão de Do Carmo Vieira estamos mais próximos de David </hi><hi >Sassoli (</hi>Figura 5)<hi >.</hi></p><p rend="text" ><hi >Convoco Leibniz</hi><hi > para dizer da força, da energia, do vigor de </hi><hi rend="italic" >MENS</hi><hi rend="italic" > AGITAT MOLEM</hi><hi > de Fernando Hilário, não num sentido eminentemente material,</hi><hi > outrossim naquele em que forças centrípetas convocam a unidade de</hi><hi > uma ação pela representação. Através dela vejo o esforço da</hi><hi > demanda de uma consciência que ensaia o infinito e a</hi><hi > perfeição, subtraindo-se da confusão e da obscuridade para, lentamente, em</hi><hi > avanços e recuos, configurar o que o mesmo Leibniz denomina</hi><hi > apercepção. </hi>É<hi > assim que o seu ponto de vista </hi><hi >individual transmite as distintas e permanentes mutações do mundo ou </hi><hi >a consciência que delas vai tendo. Distribui os diversos planos </hi><hi >pela tela, sem parcimónia, e precipita-se uma parafernália simbólica, uma </hi><hi >liturgia cenográfica que instiga novas procuras valorizadoras de imagens metafórico-simbólicas. </hi><hi >A ponte entre o confidencialismo lírico e a emanação de </hi><hi >novas figurações insinua a Europa, esse projeto em construção, para </hi><hi >que propõe um olhar incerto e plural, tentando reorganizar Babel </hi><hi >através de estruturas labirínticas. Valorizando a inteligência sobre a matéria, </hi><hi >o artista convoca um verso de Virgílio exortando ao estoicismo. </hi><hi >A luminosidade oscila entre as tonalidades delicadas e feéricas e </hi><hi >outras arrojadas e vulcânicas, premonitórias de deambulações lírico-dramáticas. Os pontos, </hi><hi >elementos originais da pintura, e as linhas, oriundas dos seus </hi><hi >movimentos, entram nos planos em busca da sua forma esquemática </hi><hi >e original, jogando-se em vibrações por forma a </hi>«encontrar<hi > a </hi><hi >vida, tornar sensível a sua pulsação e verificar a ordem </hi><hi >de tudo o que vive», evidenciando </hi>«que<hi > </hi>é<hi > um trabalho </hi><hi >de síntese que conduz </hi>às<hi > revelações exteriores» (Kandinsky 2006, 27). </hi><hi >Síntese demandada por Sassoli na construção da sua Europa (</hi>Figura 6)<hi >.</hi></p><p rend="text" ><hi >Hélder </hi><hi >Bandarra, em </hi><hi rend="italic" >A terra </hi><hi rend="italic">é</hi><hi rend="italic" > um só país</hi><hi >, cruzando estéticas</hi><hi > do modernismo e das vanguardas, assimila a grande revolução sofrida</hi><hi > pelas artes visuais que, olhando o quotidiano, traduzem, sem tabus,</hi><hi > a mais </hi>íntima<hi > perceção da realidade liberta de regras e</hi><hi > convenções. O expressionismo </hi>à<hi > Munch, o fauvismo </hi>à<hi > Vlamink,</hi><hi > o cubismo </hi>à<hi > Picasso, o dadaísmo </hi>à<hi > Duchamp, o </hi><hi >simultaneismo e o interseccionismo </hi>à<hi > Delaunay e mesmo o surrealismo </hi>à<hi > Dali fundem-se e confundem-se numa nova conceção de luz </hi><hi >e cores e numa série de movimentos fragmentados em rutura </hi><hi >com padrões anteriores. Anjos e demónios, mortos e vivos, heróis </hi><hi >e déspotas, vítimas e agressores são convocados para um doloroso </hi><hi >hino </hi>à<hi > liberdade. </hi><hi rend="italic" >A terra </hi><hi rend="italic">é</hi><hi rend="italic" > um só país </hi>é,<hi > </hi><hi >antes de mais, estado de espírito e projecto de um </hi><hi >percurso autónomo desencadeado por uma emoção que, instintiva e intuitivamente, </hi><hi >preserva a </hi>ética<hi > e a estética; nela 4 vetores se </hi><hi >cruzam: o desenho – expressão suprema da magnificência artística; a </hi><hi >intersecção de estéticas – manifestação de ampla enciclopédia cultural; o </hi><hi >conluio com o real – consciência da interação arte / </hi><hi >vida; a fuga espiritual – elemento salvífico do ser humano. </hi><hi >Aqui se desenha um ascético drama humano irredutível a valores </hi><hi >sociais. </hi>É<hi > manifesta uma postura coerciva arreigada </hi>à<hi > teoria do </hi><hi >tumulto e entroncada nas práticas psicológica, fisiológica e psicanalítica. Influenciado </hi><hi >pelo mecanismo das vanguardas europeias que antecederam a II Guerra </hi><hi >Mundial, Hélder Bandarra hesita entre a reivindicação do monstruoso e </hi><hi >do grotesco, e questões do seu universo </hi>íntimo<hi > ou da </hi><hi >história contemporânea de forma mais contida mas, nem por isso, </hi><hi >menos perturbadora. Sem seguidismos obsessivos, o artista, esperançadamente, apela </hi>à<hi > </hi><hi >união e </hi>à<hi > fraternidade num mundo fragilizado pela guerra. Como </hi><hi >Sassoli, naturalmente (</hi>Figura 7)<hi >.</hi></p><p><graphic url="_28-web-resources/image/Fig_7_Isabel_Ponce_de_Leão.jpg" rend="img _idGenObjectAttribute-1" mimeType="image/jpeg"/></p><p rend="caption_figure" >Figura 7 – Hélder Bandarra, <hi rend="italic">A Terra é um só país</hi>, 2022, acrílico sobre tela em grade de madeira; 6x2 m. © 2022, Hélder Bandarra.</p><p rend="text" ><hi rend="italic" >Sassoli / Civilidade</hi><hi > </hi>é<hi > título da magnífica tela de</hi><hi > Hélder Carvalho onde a consciência do Outro </hi>é<hi > evidenciada pelo</hi><hi > duplo retrato exibido, reflexo da indissociável antinomia sonho / realidade.</hi><hi > Há como que um deslocar do eurocentrismo, que a bandeira</hi><hi > tutela, para o conhecimento dos </hi>«Outros<hi > como meio de se</hi><hi > conhecer, medir e confrontar consigo próprio» (Kapuscinski 2009, 17).</hi><hi > Este confronto não </hi>é<hi > isento de angústias e adversidades, também</hi><hi > patentes na opção pela cor púrpura da gravata, mas surge</hi><hi > assertivo e destemido. Sobretudo não nega a crença no devir</hi><hi > lutando contra a estagnação ciente de que </hi>«no<hi > nosso planeta,</hi><hi > começam a ganhar importância e dinâmica várias civilizações extra-europeias que</hi><hi > exigem cada vez mais o seu lugar </hi>à<hi > mesa do</hi><hi > mundo» (Kapuscinski 2009, 43). O artista compreendeu a </hi><hi >luta de Sassoli pelo verdadeiro desafio do nosso tempo: </hi>«o<hi > </hi><hi >encontro com o novo Outro, de raça e de cultura </hi><hi >diferentes» (Kapuscinski 2009, 94), gerido pelo verdadeiro encontro com </hi><hi >cada um de nós. A harmonia e a serenidade dos </hi><hi >traços retratísticos evocam os ensinamentos de Erasmo de Roterdão, em </hi><hi >termos educativos e </hi>éticos,<hi > e sugerem os urgentes e necessários </hi><hi >códigos morais por que se deve a comunidade reger; a </hi><hi >isto também foram sensíveis Baldassare Castiglione, o nosso Rodrigues Lobo,</hi><hi > Maquiavel e Robert Granjon pioneiros na fixação do termo civilidade,</hi><hi > que Sassoli respeitou promovendo a aceitação e valoração da dignidade,</hi><hi > da diversidade e da tolerância porque inovam, protegem e iluminam.</hi><hi > Numa entrega total, o artista persegue o mandamento: </hi><hi rend="italic" >Amarás o</hi><hi rend="italic" > próximo como a ti mesmo</hi> <hi >(</hi>Figura 8).</p><p rend="text" ><hi >Integrada no largo projeto </hi><hi rend="italic" >Landscape without you</hi><hi >, em </hi><hi rend="italic">Árvore</hi><hi rend="italic" > em construção</hi><hi > José Rosinhas usa a técnica </hi><hi rend="italic" >ArtGraft Tailo Shape</hi><hi > inspirada no lápis tradicional. Trata-se de um bloco de pigmento</hi><hi > prensado que abrange uma vasta paleta de cores de diferentes</hi><hi > tonalidades que, aqui, se espalham sobre papel. A pluralidade pós-moderna</hi><hi > agilizou o revivalismo da pintura que passou a ser criada</hi><hi > com novas e inovadoras formas. Cessaram as regras e os</hi><hi > limites dos materiais utilizados – Chris Ofili empregou dejetos de</hi><hi > elefante em algumas obras. José Rosinhas adere </hi>à<hi > </hi><hi rend="italic" >ArtGraft Tailo</hi><hi rend="italic" > Shape </hi><hi >e sobrepõe o conceito </hi>à<hi > estética priorizando a ideia</hi><hi > em detrimento do objeto; assim propõe a autonomia da obra</hi><hi > de arte e rompe com formalismos numa clara adesão </hi>à<hi > teoria institucional da arte de George Dickie. Foucault, Barthes,</hi><hi > Lyotard e / ou Braudillard gizaram um enquadramento que corrobora</hi><hi > a pluralidade e a autoperceção isentas de qualquer sistema universal</hi><hi > de valores. Contrariando o minimalismo artístico, a obra estimula a</hi><hi > participação do público ao metaforizar a Europa nesta </hi><hi rend="italic">Árvore</hi><hi rend="italic" > em</hi><hi rend="italic" > construção</hi><hi > em que os tons escuros e sanguíneos sugerem dores</hi><hi > de crescimento, mas também coragem, força, persistência. Há algo de</hi><hi > estoico nesta teimosia de crescimento que rasga os céus sem</hi><hi > deixar a terra. Tal como na Europa, o projeto insinua-se</hi><hi > inacabado mas de forte ligação a uma terra matricial, robusta</hi><hi > e segura, cuja maturidade a torna capaz da gestão de</hi><hi > afetos, de humanismo e de solidariedade, causas por que Sassoli</hi><hi > pugnou (</hi>Figura 9)<hi >.</hi></p><p rend="text" ><hi >Dos seis artistas convidados para </hi><hi rend="italic" >Europa: um</hi><hi rend="italic" > projecto em construção. Homenagem a David Sassoli</hi><hi >, em boa </hi><hi >hora gizado e conduzido pela Università degli Studi di Firenze </hi><hi >- UniFi, Itália, Afonso Pinhão Ferreira, Do Carmo Vieira e </hi><hi >Hélder Carvalho deram largas </hi>à<hi > sua já consagrada veia retratística; </hi><hi >as suas obras são o reflexo do mundo interior e </hi><hi >do sonho europeu de Sassoli, sem que com isso traiam</hi><hi > a sua expressão física. Fernando Hilário, Hélder Bandarra e José</hi><hi > Rosinhas optaram pela metáfora visual e, de forma sinédica, </hi><hi >explanaram não um, mas os vários sonhos europeus.</hi></p><p rend="text" ><hi >Shakespeare – através</hi><hi > da personagem Macbeth – e Stephen Dedalus desvalorizaram e injuriaram</hi><hi > a história considerando-a um pesadelo. </hi>Às<hi > vezes </hi>é<hi > preciso discordar</hi><hi > dos consagrados; aqui e agora a arte surge enquanto mimese</hi><hi > da história sem descartar a garantia de identidade.</hi></p><p rend="text" ><hi >Os artistas </hi><hi >plásticos, acima mencionados, exemplarmente interpretam os ensinamentos de Sassoli e, </hi><hi >preservando o mandamento </hi><hi rend="italic" >amarás o próximo como a ti mesmo</hi><hi >,</hi><hi > apelam </hi>à<hi > liberdade e ao humanismo numa Europa Unida, inovadora,</hi><hi > protetora e iluminada, capaz de obedecer ao 1º mandamento da</hi><hi > tábua de Moisés: </hi><hi rend="italic" >amarás o próximo como a si mesmo</hi><hi >. </hi></p><p rend="h2" >Referências bibliográficas</p><p rend="bib_indx_bib" >Auden, W. H. 2019. “Reflexões sobre a liberdade e a arte.” <hi rend="italic">O Correio da UNESCO. </hi><ref target="https://pt.unesco.org/courier/2019-1/reflexoes-liberdade-e-arte">https://pt.unesco.org/courier/2019-1/reflexoes-liberdade-e-arte</ref> (08/22).</p><p rend="bib_indx_bib" >Bell, C. 2009. <hi rend="italic">Arte</hi>. Lisboa: Edições Texto e Grafia.</p><p rend="bib_indx_bib" >Biblia – Antigo Testamento.<hi rend="italic"> </hi>2017<hi rend="italic">,</hi> vol. 3, trad. Frederico Lourenço. Lisboa: Quetzal Editores.<hi rend="italic"> </hi></p><p rend="bib_indx_bib" >Kandinsky, W. 2006. <hi rend="italic">Ponto,</hi><hi rend="italic"> Linha, Plano. </hi>Lisboa: Edições 70.</p><p rend="bib_indx_bib" >Kapuscinski, R. 2009. <hi rend="italic">O Outro</hi>. Porto: Campo das Letras. </p><p rend="bib_indx_bib" >Letta, E. 2021. “Cerimónia de homenagem ao presidente David Sassoli: A tua luta pela democracia continuará.” <hi rend="italic">Parlamento Europeu</hi>. <ref target="https://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/20220114IPR21010/cerimonia-de-homenagem-a-david-sassoli-a-tua-luta-pela-democracia-continuara">https://www.europarl.europa.eu/news/pt/press-room/20220114IPR21010/cerimonia-de-homenagem-a-david-sassoli-a-tua-luta-pela-democracia-continuara</ref> (08/22).</p><p rend="bib_indx_bib" >Newall, D. 2008. <hi rend="italic">Compreender a arte</hi>. Lisboa: Editorial Estampa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Ponce de Leão, I. 2019. <hi rend="italic">Pro Litteris</hi>. Porto: Fundação Eng. 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