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      <titleStmt>
        <title type="main" level="a">António Correia e a sua sede de escrita, na ânsia de revelar uma nova humanidade ao mundo</title>
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          <persName n="1">
            <forename>Ernesto</forename>
            <surname>Matos</surname>
          </persName>
        </author>
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          <resp>This is a section of <title>Traduzione di &lt;i&gt;Deideia&lt;/i&gt; / &lt;i&gt;Dell’ideia&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Amagao meu amor&lt;/i&gt; / &lt;i&gt;Macao amore mio&lt;/i&gt;</title>(DOI: <idno type="DOI">10.36253/979-12-215-0173-5</idno>) by </resp>
          <name>António Correia, Michela Graziani, Anna Tylusinska-Kowalska</name>
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        <publisher>Firenze University Press</publisher>
        <pubPlace>Florence</pubPlace>
        <date when="2023">2023</date>
        <idno type="DOI">https://doi.org/10.36253/979-12-215-0173-5.02</idno>
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          <p>Available for academic research purposes</p>
          <p>Open Access</p>
          <p>Copyright Author(s)</p>
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            <p>Content licence CC BY 4.0</p>
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            <p>Metadata licence CC0 1.0</p>
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        <p>This is original content, published for academic research purposes</p>
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      <abstract xml:lang="en">
        <p>The personal memory of Ernesto Matos focuses on the friendship with António Correia, together with their passion for writing and the stones of the city of Macau as a new symbolic way to observe the world and its humanity</p>
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            <item>António Correia</item>
            <item>Friendship</item>
            <item>Writing</item>
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      <p>It is available online at https://doi.org/10.36253/979-12-215-0173-5.02<ref target="https://doi.org/10.36253/979-12-215-0173-5.02" /></p>
      
      
      
      
      
      <p rend="h1_chapter" >António Correia e a sua sede de escrita, na ânsia de revelar uma nova humanidade ao mundo</p><p rend="h1_author" >Ernesto Matos<hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-000-backlink"><ref target="02.html#footnote-000">1</ref></hi></hi><hi rend="Richiamo-alla-nota-a-pi--di-pagina">*</hi></p><p rend="text" ><hi>Foi o território de Macau que nos aproximou, esse lugar mágico a oriente do meu espaço habitacional, aliás, foi a poesia das pedras de Macau que nos fez encontrar, onde a pedra como caminho, abriu espaço nas distâncias que em círculo fecham o mundo e onde todos os argonautas se reencontram.</hi></p><p rend="text" ><hi>Estava em 2009 a preparar o livro </hi><hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa de Macau</hi><hi> e a procurar escritos de autores que tivessem abordado, não só aquele território físico e metafísico a oriente, mas onde também a pedra, ou as suas pedras da calçada tivessem sido declamadas. Pedras essas numa vertente artística, que por ali, depois da década de 1980, passaram a estar presentes em larga escala, como uma identidade já multicultural que a presença portuguesa tinha implementado ao longo destes últimos anos.</hi></p><p rend="text" ><hi>Em pesquisa na biblioteca da “Delegação Económica e Comercial de Macau”, em Lisboa, encontrei, entre outros, o livro do António </hi><hi rend="CharOverride-1">Amagao meu amor</hi><hi>, onde no seu poema </hi><hi rend="CharOverride-1">Irmandade</hi><hi> revela a pedra como ligação entre os povos distantes que se uniram também através de um chão partilhado em comum. Como ele escreve: «As marcas aí’stão, aí reinantes, / nas pedras e nas línguas, na fusão / dos sangues […]» (Correia 1992, 113). Um chão, todavia, em que as ondas do mar viriam a ser transformadas em pedras e banhando o centro deste pequeno território.</hi></p><p rend="text" ><hi>Queria colocar esse poema no meu livro! Deram-me o contacto do ilustre advogado Dr. António Correia, que estava de momento no Brasil. Mesmo sem o conhecer, arrisquei e enviei-lhe um email no sentido de me autorizar a publicação desse seu poema. A resposta foi rápida e positiva num imenso gosto pela partilha das palavras entrecruzadas. Conhecemo-nos desta forma separados pelo mar e pelas distâncias que as latitudes e longitudes acentuam, mas que pelas pulsões eletromagnéticas enviadas pelos metais e pelas cargas atmosféricas ionizadas, vencemos a inclusão comunicativa.</hi></p><p rend="text" ><hi>As suas palavras poéticas eram totalmente de partilha, assim, mas descreveu no nosso primeiro encontro que aconteceu em 2010, na pastelaria “Versailles”, em Lisboa, já depois do meu livro ter sido editado. Aqui viria a presentear-me não só com forte aperto de mãos, como um saco cheio dos seus livros já publicados.</hi></p><p rend="text" ><hi>A linha estava aberta, o António descarregava para mais um ouvinte a sua fluente capacidade de expressão poética, modelando palavras soltas com a velocidade que a sua voz lhe permitia. O humanismo saía-lhe dos sons, dessa sua vontade de melhorar o mundo, também por uma intrínseca bondade e generosidade perante os egoísmos e ódios que vão dia após dia açambarcando as notícias dos canais comunicativos. Homem viajado, trazia na memória um sem fim de recordações milimétricas desse espaço como casa de todos os seres vivos, onde a comida devia ser partilhada por igual. O mundo inteiro estava presente na sonoridade das sílabas que declamava e pelas imensas aventuras já tinha passado, nesse espaço circular onde a lusofonia se expressava de ocidente a oriente, mostrando por sua vez uma profunda paixão pela língua de Camões, num fado, mesmo falado que tão bem o António sentia.</hi></p><p rend="text" ><hi>Como </hi><hi rend="CharOverride-1">designer</hi><hi> gráfico de profissão e ainda ligado à estética da fotografia, mostrei-lhe alguns dos meus projetos editoriais e artísticos. A sua alma brilhou, mesmo numa perspetiva de poder em futuras edições literárias, vir aliar a escrita à funcionalidade do grafismo. A poesia não deixa de ser também um conceito estético de saber colocar as palavras, numa arte multifacetada.</hi></p><p rend="text" ><hi>Um dia dei-lhe a conhecer um projeto para poesia em Haiku que estava a desenvolver para a Câmara Municipal de Lisboa, convidando-o a fazer um poema nessa vertente silábica. Fez de imediato um poema para a edição em causa (</hi><hi rend="CharOverride-1">Haiku, 43 poemas a Lisboa</hi><hi>, CML, 2012), e mais 35 haikus soltos de rompante que posteriormente, com desenhos da sua esposa Teresa Portela, editaria em pequeno livro, com tradução para inglês e japonês, </hi><hi rend="CharOverride-1">Lisboa em Haiku</hi><hi>, a que me tinha proposto fazer o arranjo gráfico. Em 2013, também num projeto da Câmara, voltei a repetir-lhe o convite, desta vez a escrever uma </hi><hi rend="CharOverride-1">Moaxaha</hi><hi> à cidade (</hi><hi rend="CharOverride-1">Al Andalus, 33 Moaxahas a Lisboa</hi><hi>, CML, 2013). Um belo soneto estava edificado pela mestria na composição das palavras vindas do Levante peninsular. Esta múltipla parceria estava lançada!</hi></p><p rend="text" ><hi>Num dos meus primeiros projetos editoriais que fiz sobre a temática da calçada artística à portuguesa, convidei o António Correia a participar, dado a sua fluente e rápida perceção a esta temática cultural que tão bem era conhecedor estando diariamente nesse palco abaixo dos seus pés. A sua demanda de prosador e caminhante fazia-se desde terras brasileiras onde também coabitava, passando pelas inúmeras calçadas lusas até às do oriente, onde estas, mais recentemente, lhe ilustravam os passos e os olhos nos símbolos a preto e branco de uma história tatuada estendida nas artérias de Macau, por onde tanto circulou, amou e fez outros tantos amarem. A calçada portuguesa, que de certa maneira lhe revelei, abriu-lhe o apetite para uma nova escrita, para a escrita na pedra, a escrita intemporal que já os nossos antepassados também pela pedra ou pelo cinzel de aço marcaram o tempo de uma existência que no simples traço se vem tornando intemporal.</hi></p><p rend="text" ><hi>Depois da edição em 2016 do livro </hi><hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa no Mundo – stellis undis contactis</hi><hi>, onde o António se tinha amplamente exprimido nessa sua profusa linguagem poética, fizemos no ano seguinte, em coautoria, o livro </hi><hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa – Lux platearum</hi><hi>. Como que a sós, os tapetes poéticos estenderam-se pelas artérias de um mundo e de um livro, numa amplitude acompanhada pela fotografia que quis ser ela ainda uma expressão de coligação à métrica da escrita, ou vice-versa! A fórmula funcionava, uma fotografia acompanhada pela poética numa poesia decorada a imagens fotográficas!</hi></p><p rend="text" ><hi>A vasta obra literária do António Correia, que desde os anos 1990 vinha sendo publicada tinha-se esgotado nas prateleiras das livrarias, era necessário reeditar alguns títulos. A pedido da LITS, sediada em Macau, três títulos foram assim por mim trabalhados graficamente, os </hi><hi rend="CharOverride-1">Contos de Ou-Mun</hi><hi> (2020), </hi><hi rend="CharOverride-1">Fragmentos</hi><hi> (2021), e </hi><hi rend="CharOverride-1">O Menino que queria ver o Mar</hi><hi> (2022). Numa renovada linguagem estética deu de novo à luz a escrita poética e sensorial do António, onde novas ilustrações quer fotográficas, pinturas quer em ilustrações, vieram a compor um andamento onde os vários instrumentos de orquestra compuseram uma sinfonia plena, do princípio ao fim, quebrando alguma monotonia dos instrumentos isolados. A poesia e a prosa poética a escaparem-se, propondo-se a viajarem no tempo através das leituras que todos nós absorvemos na necessidade de um conhecimento que nos faça, não só compreender o passado, mas poder preparar o caminho do futuro.</hi></p><p rend="text" ><hi>Paralelamente entre os anos 2020 e 2022, de novo em parceria, editamos três livros de originais, o </hi><hi rend="CharOverride-1">Lisboa – Lux Candens</hi><hi>, </hi><hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa – Naves in Petris</hi><hi> e já após o seu falecimento saiu o </hi><hi rend="CharOverride-1">Macau – 22, 113</hi><hi>. Livros de viagem, não só pela calçada, mas pela transcendência da imortalidade reescrita no papel e nas cidades onde juntos caminhamos sobre as mesmas pedras, agora feitas de um papel dobrado em barquinho, que pretende conquistar as imponentes ondas do mar feitas de pedras da calçada.</hi></p><p rend="text" ><hi>Em 2022 chegou ao fim a cruzada do meu amigo escritor, nesses passos espaçados por letras, traços, pontos, vírgulas e encontros entre almas almejadas nas esferas da matéria inebriante. Embarcou o amigo escritor, no dia de Santo António, embalado por esse abraço e de outros tantos braços fraternos que o aconchegaram nas tertúlias poéticas derramadas em folhas de livros ou na rede das suas estimas.</hi></p><p rend="text" ><hi>Boa viagem amigo escritor amigo, navega como figura de proa até onde querias chegar na distância flutuante para lá do nosso tempo vivido. A âncora está levantada, os ventos são-te favoráveis… a moeda a Caronte foi entregue. Viaja... para nos embalarmos agora pela essência dos flocos da tua espuma marítima, deixada na brisa do tempo que esvoaça por aí.</hi></p><p rend="text ParaOverride-1" ><hi rend="CharOverride-1">Lisboa, janeiro de 2023</hi></p><p rend="h2" >Referências bibliográficas</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1992. <hi rend="CharOverride-1">Amagao meu amor</hi>.<hi rend="CharOverride-1"> </hi>Edições Macau Hoje: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2012. <hi rend="CharOverride-1">Haiku, 43 poemas a Lisboa</hi>. CML: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2013. <hi rend="CharOverride-1">Al Andalus, 33 Moaxahas a Lisboa</hi>. CML: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2019. <hi rend="CharOverride-1">Lisboa em haiku</hi>. ProArt&amp;Letra – Associação Cultural: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2020. <hi rend="CharOverride-1">Fragmentos</hi>. LITS: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2021. <hi rend="CharOverride-1">Contos de Ou-Mun</hi>. LITS: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2022a. <hi rend="CharOverride-1">Macau – 22, 113</hi>. LITS: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2022b. <hi rend="CharOverride-1">O menino que queria ver o mar</hi>. LITS: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A., Matos E. 2017. <hi rend="CharOverride-1">Calçada portuguesa – Lux Platearum</hi>. Sessenta e Nove Manuscritos: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A., Matos E. 2020. <hi rend="CharOverride-1">Lisboa – Lux Candens</hi>. Mythus de Er: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A., Matos E. 2021. <hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa – Naves in Petris</hi>. Mythus de Er: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Matos E. 2009. <hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa de Macau</hi>. Sessenta e Nove Manuscritos: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Matos E. 2016. <hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa no Mundo – stellis undis contactis</hi>. Sessenta e Nove Manuscritos: Lisboa.</p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-2"><ref target="02.html#footnote-000-backlink">1</ref></hi>	Designer gráfico, fotógrafo e poeta doutorado em Belas Artes em 2022 na Universidade de Lisboa com a tese: <hi rend="CharOverride-1">A calçada artística à portuguesa no Estado Novo - Políticas culturais e urbanas entre 1926 e 1974</hi>.</p>
      
      
      
      
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          <head>References</head>
          <bibl n="124944">Correia A. (1992), Amagao meu amor, Edi&amp;#231;&amp;#245;es Macau Hoje, Macau.</bibl>
          <bibl n="124945">Correia A. (2012), Haiku, 43 poemas a Lisboa, CML, Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124946">Correia A. (2013), Al Andalus, 33 Moaxahas a Lisboa, CML, Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124947">Correia A. (2019), Lisboa em haiku, ProArt&amp;amp;Letra – Associa&amp;#231;&amp;#227;o Cultural, Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124948">Correia A. (2020), Fragmentos, LITS, Macau.</bibl>
          <bibl n="124949">Correia A. (2021), Contos de Ou-Mun, LITS, Macau.</bibl>
          <bibl n="124950">Correia A. (2022a), Macau – 22, 113, LITS, Macau.</bibl>
          <bibl n="124951">Correia A. (2022b), O menino que queria ver o mar, LITS, Macau.</bibl>
          <bibl n="124952">Correia A., Matos E. (2017), Cal&amp;#231;ada portuguesa – Lux Platearum, Sessenta e Nove Manuscritos, Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124953">Correia A., Matos E. (2020), Lisboa – Lux Candens, Mythus de Er, Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124954">Correia A., Matos E. (2021), Cal&amp;#231;ada Portuguesa – Naves in Petris, Mythus de Er, Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124955">Matos E. (2009), Cal&amp;#231;ada Portuguesa de Macau, Sessenta e Nove Manuscritos, Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124956">Matos E. (2016), Cal&amp;#231;ada Portuguesa no Mundo – stellis undis contactis, Sessenta e Nove Manuscritos, Lisboa.</bibl>
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