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        <title type="main" level="a">António Correia: o homem e seu legado literário</title>
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            <forename>Jorge</forename>
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          <resp>This is a section of <title>Traduzione di &lt;i&gt;Deideia&lt;/i&gt; / &lt;i&gt;Dell’ideia&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Amagao meu amor&lt;/i&gt; / &lt;i&gt;Macao amore mio&lt;/i&gt;</title>(DOI: <idno type="DOI">10.36253/979-12-215-0173-5</idno>) by </resp>
          <name>António Correia, Michela Graziani, Anna Tylusinska-Kowalska</name>
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        <publisher>Firenze University Press</publisher>
        <pubPlace>Florence</pubPlace>
        <date when="2023">2023</date>
        <idno type="DOI">https://doi.org/10.36253/979-12-215-0173-5.03</idno>
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          <p>Open Access</p>
          <p>Copyright Author(s)</p>
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        <p>This is original content, published for academic research purposes</p>
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        <p>The personal memory of Lurdes Escaleira and Jorge Bruxo deals with the relationship among them, Correia and Ernesto Matos and focuses on a first portrait of António Correia and his literary</p>
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            <item>António Correia</item>
            <item>Ernesto Matos</item>
            <item>Life</item>
            <item>Literary path</item>
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      <p>It is available online at https://doi.org/10.36253/979-12-215-0173-5.03<ref target="https://doi.org/10.36253/979-12-215-0173-5.03" /></p>
      
      
      
      
      
      <p rend="h1_chapter" >António Correia: o homem e seu legado literário </p><p rend="h1_author" >Jorge Bruxo<hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-008-backlink"><ref target="03.html#footnote-008">1</ref></hi></hi>, Lurdes Escaleira<hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-007-backlink"><ref target="03.html#footnote-007">2</ref></hi></hi></p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_2" ><hi rend="CharOverride-1">Ser ou não conhecido e reconhecido como poeta e escritor pouco importa. O cemitério está repleto de fa mosos que caíram no esquecimento e eles próprios não estarão mais infelizes por isso!</hi></p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_2" ><hi rend="CharOverride-1">Viver é o que importa, pese embora o sabermos que os segundos estão todos contados e o grande silêncio do olvido a todos e cada um, inexoravelmente, abraçará não tarda muito!</hi></p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_2" >António Correia, Entrevista<hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-006-backlink"><ref target="03.html#footnote-006">3</ref></hi></hi> (2020)</p><p rend="h2" >Nota Introdutória</p><p rend="text" ><hi>Foi no palco da vida que os autores deste texto se cruzaram com António Correia (1948-2022), mais intensamente nas duas décadas antecedentes do seu decesso. Simples desiderato do destino ou vontade dos deuses, mas desse encontro resultou o despertar de um profundo interesse pela obra literária de um homem simples, com o dom da palavra e um entusiasmo do tamanho do mundo para abraçar projectos e trabalhar afincadamente até se atingirem os objectivos propostos. Isso levou-o a criar grandes amizades e a cooperar em trabalhos que lhe foram sugeridos e nos quais se envolveu com determinação, como no caso da estreita colaboração com Ernesto Matos e com a LITS Macau. Assim, o nosso testemunho e homenagem é fruto de uma convivialidade estabelecida já neste século XXI, quando António Correia desenvolveu as suas carreiras profissionais em Lisboa e em Fortaleza (Brasil), com algumas estadias em Macau. Mas isso não significa que anteriormente os autores não tivessem já travado conhecimento com António Correia, pois tal como ele também viveram em Macau nas últimas duas décadas do passado século XX e assistiram ao desenvolvimento da prestigiosa carreira literária, em cúmulo com a actividade profissional do nosso poeta e escritor como advogado, em simultaneidade com outros cargos públicos, nomeadamente como por exemplo membro do Conselho Consultivo do Governo de Macau, Vogal do Conselho de Cultura de Macau e Deputado à Assembleia Legislativa de Macau. E também durante esse período os autores conheceram e leram os livros do autor editados em Macau nesse período, a saber: </hi><hi rend="CharOverride-1">Miscelânea – Mensagens em prosa e verso para crianças </hi><hi>(1987), </hi><hi rend="CharOverride-1">Conjugando o Verbo Amar (poesia) </hi><hi>(1989), </hi><hi rend="CharOverride-1">Folhas Dispersas (poesia) </hi><hi>(1989), </hi><hi rend="CharOverride-1">Ngola (contos) </hi><hi>(1990), </hi><hi rend="CharOverride-1">Deideia (poesia) </hi><hi>(1992), </hi><hi rend="CharOverride-1">Amagao, Meu Amor (poesia) </hi><hi>(1992), </hi><hi rend="CharOverride-1">Fragmentos (poesia)</hi><hi> (1994) e </hi><hi rend="CharOverride-1">Contos de Ou-Mun, </hi><hi>(1996).</hi></p><p rend="text" ><hi>Nas cidades da deusa A-Má e de Ulisses ocorreram os nossos encontros sempre desenrolados numa esfera de franca e sincera amizade. Relemos e iniciámos o estudo das suas obras e com outros amigos encetámos o projeto editorial adiante referido. Conhecemos a grandeza de alma de um ser humano de eleição e de um artista da palavra, tanto em prosa quanto em poesia que merece ser lida, estudada e divulgada, porque as suas obras constituem um </hi><hi rend="CharOverride-1">corpus</hi><hi> que além de permitir conhecer a sua sensibilidade literária também nos dá ênfoques para reconstruirmos as imagens dos lugares por ele descritos e dos vários tipos de personagens que os habitavam. E, para além disso, é importante e até indispensável atentar nos ensinamentos que transmitem e nas memórias que fixam. Com suporte na sua obra podemos voar até ao etéreo poético ou descer ao íntimo da alma humana, no seu melhor e no seu pior.</hi></p><p rend="text" ><hi>Todos os escritores, de modo explícito ou não, acabam por reflectir nas suas obras alguns traços autobiográficos, tanto de episódios por si vivenciados quanto dos apenas testemunhados e a isso não foge António Correia. A sua obra, tanto poética quanto em prosa, abundantemente inclui vários apontamentos pessoais, nomeadamente registos de emoções e de valores que bem reflectem o seu apego à família, à pátria, ao humanismo e às terras que o viram nascer ou onde cresceu e desenvolveu suas actividades profissionais ou até simplesmente esteve de passagem. Na prosa a construção das suas personagens literárias é feita sempre com recurso a pedaços de realidade emoldurados de subtil crítica com fina ironia, nunca uma crítica violenta e soez. Os retratos objecto da sua atenção são predominantemente preenchidos por elementos das classes sociais mais baixas e desprotegidas. Também é nítida a descrição de factos e situações relevando traços civilizacionais produto de cruzamentos socio-culturais, isto é de mestiçagem entre o Oriente e o Ocidente bem como de práticas e valores de sociedades dos hemisférios norte e sul (Europa e continentes asiático, sul americano e africano).</hi></p><p rend="text" ><hi>Os seus livros foram editados em Lisboa, Macau e Fortaleza (Brasil). Em Macau, além de edições de autor, as suas editoras foram principalmente “Livros do Oriente”, “Edições Macau Hoje” e a “LITS</hi><hi rend="notes_number CharOverride-2"><hi xml:id="footnote-005-backlink"><ref target="03.html#footnote-005">4</ref></hi></hi><hi>”.</hi></p><p rend="text" ><hi>Em 2022 foi publicado o conto infantil </hi><hi rend="CharOverride-1">O Menino que queria ver o mar</hi><hi> obra que resulta de um feliz acaso, já que, durante a nossa investigação sobre a obra de António Correia descobrimos este conto inserido na obra </hi><hi rend="CharOverride-1">Miscelânea</hi><hi> -</hi><hi rend="CharOverride-1"> mensagens em prosa e verso para crianças</hi><hi> (1987) tendo, posteriormente, proposto ao autor a sua publicação em separado e edição bilingue. Esta publicação insere-se no projecto de cooperação de António Correia com a LITS que contempla a tradução para chinês de parte da sua obra, em especial a relacionada com Macau, tendo-se iniciado o processo de edição com a publicação bilingue (chinês e português) de </hi><hi rend="CharOverride-1">Contos de Ou Mun</hi><hi> (2021), obra já anteriormente publicada mas apenas em português. No ano seguinte, foi publicada a obra poética </hi><hi rend="CharOverride-1">Fragmentos </hi><hi>(2022) e o conto infantil </hi><hi rend="CharOverride-1">O Menino que queria ver o mar </hi><hi>(2022), todos em versão bilingue.</hi></p><p rend="text" ><hi>Para além de obras literárias com conteúdo temático de relevo, transbordando de palavras usadas com mestria, estas edições da LITS apostam na ilustração e num design atractivo, destacando-se </hi><hi rend="CharOverride-1">Contos de Ou Mun</hi><hi>, ilustrada pela pintora Teresa Portela, e </hi><hi rend="CharOverride-1">O Menino que queria ver o mar</hi><hi>, ilustração de Angelina Mar e ambas com design de Ernesto Matos, o que as torna verdadeiras obras de arte.</hi></p><p rend="text" ><hi>Também traduzido e publicado pela LITS acaba de sair </hi><hi rend="CharOverride-1">Macau 22.113 </hi><hi>(2022), uma parceria entre António Correia e Ernesto Matos, que traz a público um conjunto de imagens, artísticas e representativas de Macau, acompanhadas por prosa poética da autoria de António Correia.</hi></p><p rend="text" ><hi>Esta parceria surgiu de forma espontânea porque, tal como afirma António Correia, </hi><hi rend="CharOverride-1">Há sementes que se perdem, outras que as aves comem, outras ainda que germinam! Aconteceu que um estudioso da calçada à portuguesa, Ernesto Matos de seu nome, passou por Macau fotografando a calçada e adquiriu o livro Amagao meu Amor na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa, na sequência do que procurou o autor pedindo autorização para publicar uns poemas. Daí houve encontros e nasceu a amizade e a mútua admiração e confiança. […] Os frutos estão à vista em obras de grande qualidade gráfica e estética</hi><hi>.</hi></p><p rend="text" ><hi>Da colaboração com Ernesto Matos resultaram várias obras onde a imagem e prosa poética combinam harmonia e elegância estética para destacar aspectos invulgares da cultura dos lugares retratados com especial destaque para a calçada portuguesa, como os livros </hi><hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa no Mundo — Stellis Undis Contactis </hi><hi>(2016)</hi><hi rend="CharOverride-1">, Calçada Portuguesa — Lux Platearum </hi><hi>(2017)</hi><hi rend="CharOverride-1">, Calçada Portuguesa — Scriptum in Petris </hi><hi>(2018)</hi><hi rend="CharOverride-1">, Lisboa Lux Candens </hi><hi>(2020)</hi><hi rend="CharOverride-1">, Calçada Portuguesa — In Excelsis Petris </hi><hi>(2020)</hi><hi rend="CharOverride-1"> e Calçada Portuguesa — Naves in Petris — Poética </hi><hi>(2021).</hi></p><p rend="h2" >Percurso literário</p><p rend="text" >A sua vocação para a escrita, e em especial para a poesia, desperta ainda na adolescência, talvez em parte como fruto da sua natural tendência para redigir com facilidade e erudição, cedo revelada na escola primária onde se tornou <hi rend="CharOverride-1">notado o seu apego ao saber, sobretudo às letras, revelando um dom natural para as redações, o que levou as professoras a recomendar vivamente que não se perdesse o que parecia ser uma criança de inteligência promissora</hi>.</p><p rend="text" >Também as muitas leituras, em que devorou praticamente todos os livros da itinerante biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian que então regularmente visitava a sua aldeia natal, Anreade, à Beira-Douro plantada, no Norte de Portugal, tiveram uma forte influência no seu rumo pela escrita literária. O autor confidenciou-nos que talvez o poema <hi rend="CharOverride-1">A Neve</hi> de Augusto Gil tenha inspirado os seus primeiros devaneios poéticos, quando sob um frio gélido se extasiava perante as casas e montes pintados por alvos nevões. E também nos disse que esses poemas talvez ainda dormitem em alguma gaveta da Casa da Poesia, como denominava a casa que construiu na sua terra natalícia em resposta a um chamamento telúrico que toda a vida inquietou o seu espírito. E ao recordar a sua infância disse-nos que<hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-004-backlink"><ref target="03.html#footnote-004">5</ref></hi></hi> <hi rend="CharOverride-1">o menino foi crescendo com o rio e os barcos à vista, entre tonéis, cordames, juntas de bois, homens de rostos tisnados, mãos calejadas, pés descalços, muito tementes a Deus que certamente não via o quanto sofriam os carrejões ou carrejolas que subiam do rio às serras, por quelhos de pedregulhos e silvedos, nem os que pulavam de fraga em fraga, como macacos de circo, alçando cordas e arames, saltando para o barco e agarrando desesperadamente em pás, remos e espadelas para prevenir o naufrágio.</hi></p><p rend="text" >Após a conclusão do ensino primário continuou os estudos e, durante 3 anos, frequentou o <hi rend="CharOverride-1">Seminário de Resende, sempre superlotado de rapazes que vinham das aldeias e vilas de toda a Diocese de Lamego. Só os melhores a ele tinham acesso, após exame de admissão e o autor foi um desses felizardos que, ipso facto, se libertaram do jugo inexorável da lavoura</hi>.</p><p rend="text" >Mas, o jovem António <hi rend="CharOverride-1">tinha outros sonhos de liberdade e queria fazer-se ao mundo, quiçá com a saudade das viagens dos rabelos rumo à cidade e ao mar</hi> e aos dezasseis anos foi para Lisboa juntar-se à mãe e irmãos que então aí moravam, passando a trabalhar de dia e estudar à noite. E desse modo concluiu o ensino secundário e se matriculou no Curso de Licenciatura em Direito da Universidade de Lisboa. Foi nessa fase da sua vida que escreveu os primeiros trechos de prosa, que, sem êxito tentou publicar, e <hi rend="CharOverride-1">assim nasceu o poeta e o escritor que sempre procurou dar testemunho do seu tempo e dos lugares por onde tem andado a semear amor pelas coisas simples, por rostos e paisagens, procurando ver sempre o lado mais profundo da distância em contínuo questionamento do porquê e para quê desta errância onde, errando, naufragamos sempre à espera da bonança e da tábua de salvação</hi>.</p><p rend="text" >Incorporado no exército como oficial miliciano é mobilizado para a guerra colonial que então se desenrolava em Angola. São dois anos em que, além do serviço militar, prossegue os estudos e visita o chão sagrado em que tinha sido sepultado seu pai porque como o <hi rend="CharOverride-1">jovem José não vislumbrava futuro para os filhos num rio bravo que ceifava vidas […] decidiu fazer-se ao mundo e emigrou para Angola onde a febre biliosa hemoglobinúrica o vitimou também escasso tempo depois, tinha o autor quatro anos de idade. </hi>Deste tempo como militar em Angola resultará o livro <hi rend="CharOverride-1">NGOLA (Contos), </hi>editado em Macau em 1990.</p><p rend="text" >Regressado à vida civil em Lisboa, prossegue o Curso de Direito como estudante trabalhador e conclui-o pouco depois de ter eclodido o 25 de Abril de 1974. É nesse ambiente revolucionário de convulsões políticas e sociais que ingressa no trabalho bancário, desenvolve actividades sindicais, e, em 1976, edita o seu primeiro livro de contos e poesia intitulado <hi rend="CharOverride-1">Abrindo Caminho.</hi></p><p rend="text" >Em 1980, por razões profissionais<hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-003-backlink"><ref target="03.html#footnote-003">6</ref></hi></hi>, o destino transporta-o a Macau onde escreveu e editou grande parte da sua obra. Volta a Lisboa em 1986, sem nunca se desligar totalmente de Macau e regressa com frequência. Continua a escrever e publicar sendo desse período a edição em Lisboa de <hi rend="CharOverride-1">Rua Sem Nome</hi><hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-002-backlink"><ref target="03.html#footnote-002">7</ref></hi></hi>, um romance que tem por objecto Macau entre 1979 e 1999, ou seja no denominado período de transição do exercício da soberania sobre Macau de Portugal para a China.</p><p rend="text" >Seguidamente vai para o Brasil, passando a residir em Fortaleza. Aí é investidor e empresário, não logrando abandonar a escrita. É desse tempo a edição de <hi rend="CharOverride-1">Contos Cearenses</hi>, em 2002. Nos anos seguintes a sua vida desdobra-se por Portugal, Brasil e Macau e, neste último período da sua vida, edita vários livros tanto em prosa como em poesia, como adiante vamos referir.</p><p rend="text" >Ciente da dificuldade dos autores em verem publicadas as suas obras, nos últimos anos, António Correia teve uma presença activa e regular no Facebook (21-11-2012, 05-06-2022)<hi rend="notes_number _idGenCharOverride-1"><hi xml:id="footnote-001-backlink"><ref target="03.html#footnote-001">8</ref></hi></hi> onde divulgou poemas inéditos porque <hi rend="CharOverride-1">gostaria de contar ainda muitas estórias que viveu mas já se cansa de andar a mendigar leitores! É uma bênção o facebook que lhe permite o devaneio de ir publicando uns poemas!</hi></p><p rend="text" >Reconhecendo que vivemos num <hi rend="CharOverride-1">tempo da mensagem curta, sincopada e que, lida, é logo descartada!</hi> considera que não há lugar para a prosa nas redes sociais já que esta <hi rend="CharOverride-1">se alonga e se prolonga em páginas tantas que não dá para convencer o mais empedernido utente de smartphone a aguentar a tortura!</hi>, optando pela poesia para <hi rend="CharOverride-1">que o poema ao menos seja o pirilampo nesta noite virtual</hi>!</p><p rend="h2" >Incurso em algumas obras</p><p rend="text" ><hi>Entre as mais de 30 obras publicadas destacamos as que, porventura menos conhecidas, revelam o homem sensível e profundamente humano e humanista que António Correia foi através da sua apresentação na primeira pessoa. Referiremos também a sua colaboração com Ernesto Matos e com a LITS e delineamos um breve apontamento sobre alguma poesia apenas revelada na Internet.</hi></p><p rend="text" ><hi rend="CharOverride-1">Memórias do Meu Rio </hi><hi>(2005) são contos escritos in memoriam do avô paterno e do pai, ambos arrais dos rabelos que, tal como o poeta afirma na dedicatória, ainda navegam no seu próprio sangue</hi><hi rend="CharOverride-1">, </hi><hi>descrevendo a</hi><hi rend="CharOverride-1"> </hi><hi>infância passada no Douro, que consigo transportou para todo o mundo, revelando também aqui o seu amor pelos animais.</hi></p><p rend="text" ><hi>Do Douro traz imagens dos tempos difíceis quando o </hi><hi rend="CharOverride-1">negócio dos rabelos soçobrou face ao desenvolvimento do transporte rodoviário, aliado do outro grande competidor – a linha férrea</hi><hi>, levando o </hi><hi rend="CharOverride-1">avô Manuel a afogar as mágoas de taberna em taberna</hi><hi>.</hi></p><p rend="text" ><hi rend="CharOverride-1">Contos Fabulosos </hi><hi>(2006)</hi><hi rend="CharOverride-1"> </hi><hi>é uma narrativa de gente e bichos apresentadas na sua rudeza e com as misérias e grandezas e onde vai buscar </hi><hi rend="CharOverride-1">alguns sinais </hi><hi>para descrever os estados de alma dos personagens. O autor afirma que tanto os humanos como os animais sofrem de angústias, egoísmos e desejos de vingança e desafia o leitor a também se questionar e descobrir o que há no homem de bicho e de humano nos animais.</hi></p><p rend="text" ><hi rend="CharOverride-1">Amor Felino</hi><hi> (2009) é uma obra poética que nasce de uma aversão (a gatos) tornada paixão e materializada em versos que vão revelando os mais íntimos sentimentos do poeta e a sua simplicidade. Após desenvolver um forte sentimento pela bichana desabafa confessando «Não sei se é amor, / mas tenho medo de perder-te, / dengosa menina, / que me pões de ti perdido» (Correia 2009, 10).</hi></p><p rend="text" ><hi>Este tema é retomado num poema em que se questiona: «O amor de bicho e gente será o quê?» para de seguida responder dizendo que este amor é «Serenidade no beber / o mel do olhar […] saber dar e receber […] / e o amor aconteceu, / Simplesmente, / porque bicho é gente!» (Correia, facebook, Maio de 2022).</hi></p><p rend="text" ><hi>A obra</hi><hi rend="CharOverride-1"> Minha Raiz</hi><hi rend="notes_number CharOverride-2"><hi xml:id="footnote-000-backlink"><ref target="03.html#footnote-000">9</ref></hi></hi><hi rend="CharOverride-1"> </hi><hi>(2010b) é autobiografica descrevendo a infância difícil, a partida e a promessa de não regresso, as deambulações pelo mundo, o retorno e a luta entre as memórias de um passado doloroso, mas que nunca deixou de amar, com grande intensidade, o Douro, as suas gentes e a família que constituem como temática quase omnipresente nas recordações que António Correia carrega ao longo da sua vida.</hi></p><p rend="text" ><hi>Macau, terra onde residiu parte importante da sua vida adulta, é inspiração para alguns versos de agradecimento, porque «não vos mereço, não, mas agradeço / de todo o coração a vossa dádiva / de cultura e de crença, e de identificação onde me espelho e reconheço / homem melhor talvez e um pouco sábio» (Correia 2010b: 53). É o próprio que confessa: </hi><hi rend="CharOverride-1">Macau transformou o homem, o poeta e o escritor, modelando-o na sua completitude. Ele passou a ser de todos os lugares e de lugar nenhum, pois a Europa, a África ou o Brasil são pequeninos episódios no seu percurso de vida porque assumiu Macau como sua raiz espiritual a que não renuncia. Amagao, meu amor, Fragmentos, Serenidade, Contos de Ou-mun e Rua sem Nome são os espelhos maiores da sua alma enamorada da terra e das gentes de Macau</hi><hi>.</hi></p><p rend="text" ><hi>Ao afirmar ser «Resende minha raiz, / espartano espaço do meu berço, / lugar dos sonhos todos de menino / e onde agora sou feliz» (Correia 2010b, 136) revela a sua reconciliação com o passado e a vivência de um retorno às raízes para desfrutar de uma felicidade serena que pautou a última fase da sua vida sem no entanto esquecer o passado que o ungiu para sempre. De facto, </hi><hi rend="CharOverride-1">Nos resquícios mais remotos da memória o autor ainda conta com lembranças de desleixos e até fome e daí ter passado a viver em casa de um tio por volta do início da instrução primária, indo à escola, descalço como os demais, calcorreando caminhos de degredo, fizesse calor ou frio de rachar, sobretudo em tempos de invernos bravos com o codo das manhãs a cristalizar as lágrimas das noites.</hi></p><p rend="text" ><hi>O romance </hi><hi rend="CharOverride-1">Bom dia Pai</hi><hi> (2010a) situa-se no período que vai desde a I Grande Guerra até 2004, quando inaugura a sua Casa da Poesia, sendo um desfilar de memórias familiares.</hi></p><p rend="text" ><hi rend="CharOverride-1">Mãe Maria </hi><hi>(2013) é testemunho da eterna gratidão à mãe de quem tenta esconder o sofrimento que lhe causa vê-la atormentada na sua luta em final de vida. «Secaram as palavras… De um só trago, / Bebo as lágrimas para que as não vejas / E falo com as mãos em cada afago» (Correia 2013, 16). São versos que transbordam de amor filial, falam das lutas da vida, da última partida e da saudade.</hi></p><p rend="text" ><hi rend="CharOverride-1">Amor Canino </hi><hi>(2016) é uma narrativa em que o autor declara o seu amor e respeito pelos animais. Num estilo de prosa poética o autor narra na primeira pessoa a vida da Sissi a quem apelida de «Sua Alteza Real a Rainha Sissi de Santo Alandroal, legítima soberana do Sítio de Arrais, um puríssimo sangue da melhor linhagem dos Rafeiros Alentejanos»</hi><hi rend="CharOverride-1"> </hi><hi>(Correia 2016, 38). O poeta regressa a esta memória num poema intitulado </hi><hi rend="CharOverride-1">Rainha Sissi do Meu Coração:</hi></p><p rend="quotation_b" >Serenamente doce e ao mesmo tempo triste,</p><p rend="quotation_b" >a luz do teu olhar afogou-se nas lágrimas</p><p rend="quotation_b" >que minh´alma sangrava por te ver partir.</p><p rend="quotation_b" >Tu sabias, amor, que o coração resiste</p><p rend="quotation_b" >porque se agarra à vida, inda que veja as lâminas</p><p rend="quotation_b" >do tempo a colapsar o sonho de porvir.</p><p rend="quotation_b" >Eu bem vi que pedias meu colo e afago</p><p rend="quotation_b" >mas arfavas, arfavas e já só erguias</p><p rend="quotation_b" >a cabeça. Afaguei-te o rosto, disse adeus</p><p rend="quotation_b" >E tu adormeceste como quem, de um trago,</p><p rend="quotation_b" >bebe o elixir do amor de tantas alegrias</p><p rend="quotation_b" >pra que a sua lembrança enxugue os olhos meus.</p><p rend="quotation_b" >(Correia, facebook, Junho de 2021)</p><p rend="text" ><hi>Uma breve incursão pelas rede social Facebook permitiu-nos seleccionar alguns dos poemas que nos permitem desvendar um pouco mais sobre António Correia. Em 5/2014, a partir do Brasil, traça-nos um retrato poético de si próprio:</hi></p><p rend="quotation_a" > Não sou deus nem diabo, sou humano</p><p rend="quotation_a" >Na corda bamba, sobre o precipício.</p><p rend="quotation_a" >E firme ali me quero, soberano</p><p rend="quotation_a" >Senhor do meu destino, sem saída </p><p rend="quotation_a" >Se errar, porque o erro é um feitiço </p><p rend="quotation_a" >Que pretendo quebrar, a toda a hora, </p><p rend="quotation_a" >Em que o risco me chama e me deslumbra </p><p rend="quotation_a" >Sem cuidar de saber se a alma chora,</p><p rend="quotation_a" >Quando o sol é a dor que há na penumbra</p><p rend="quotation_a" >De quem faz do amor a dor maior</p><p rend="quotation_a" >De sentir que está tudo por um fio.</p><p rend="quotation_a" >O passado, o porvir?! Bebo o suor</p><p rend="quotation_a" >Da eternidade desse calafrio</p><p rend="quotation_a" >Ao contemplar o nada e o vazio.</p><p rend="quotation_a" >(Correia, facebook, Maio de 2014)</p><p rend="text" ><hi>No poema publicado em Abril de 2021, assume-se como uma pessoa que perante as adversidades da vida se ergue «porque a mente tem força para resistir recusando vergar perante o desânimo, sendo magnânimo / perante cada ferida / onde ela, a mente, põe o dedo»</hi><hi rend="CharOverride-1"> </hi><hi>e dissecando o mal em busca da «via ou da flor pra olvidar o infortúnio, a dor, / a angústia e o medo» (Correia, facebook, Abril de 2021)</hi><hi rend="CharOverride-1">.</hi></p><p rend="h2" >Breve conclusão</p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_2" ><hi rend="CharOverride-1">Não, não sou ninguém, / nem quero ser coisa nenhuma, / porque me basta pensar / que o mal passa e o bem perdura, / como a água que vira espuma, / nesse espasmo lunar / de ânsia satisfeita.</hi></p><p rend="epigraph_inscription_epigraph_2" >(Correia, facebook, Maio de 2015)</p><p rend="text" ><hi>A vida de António Correia pode ser testemunhada não só por quantos o conheceram e com ele conviveram e pelos documentos gráficos, sonográficos ou fílmicos, mas principalmente pela obra literária que nos legou e em que a sua personalidade e os caminhos percorridos pelo mundo ficaram gravados para a posteridade. Foi, melhor é um homem universal influenciado pelos saberes do Ocidente e do Oriente. Os valores do Cristianismo e do Budismo nele se conciliaram em perfeita harmonia, com as suas vivências na Europa, na África, na Ásia e na América.</hi></p><p rend="text" ><hi>E como «A morte não existe! É ficção! / Não morrerei jamais! A norma / é que meu corpo se transforme / em cinza e gás que alimente / outras vidas; a alma, simplesmente, / é e será translúcida luz de alabastros!» (Correia, facebook, Maio de 2022), os autores expressam o seu desejo de que a obra de António Correia continue a ser estudada, ganhe cada vez mais leitores e seja a luz de alabastro que mantem acesa a memória de quem vai «voando nessa aventura /De atingir a invisível linha / Que no infinito azul se adivinha» (Correia, Facebook, Abril de 2014). </hi></p><p rend="h2" >Referências bibliográficas</p><p rend="bib_indx_bib" >Bruxo J., Escaleira L. 2022. <hi rend="CharOverride-1">António Correia: o escritor e a sua obra literária</hi>. «Revista de Cultura», 69: 141-59.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1976. <hi rend="CharOverride-1">Abrindo Caminho</hi>. Edição de autor : Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1986. <hi rend="CharOverride-1">Rua Sem Nome</hi>. Aríon Publicações, Lda: Lisboa</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1987. <hi rend="CharOverride-1">Miscelânea (Mensagens em prosa e verso para crianças)</hi>. Edição de autor: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1989. <hi rend="CharOverride-1">Conjugando o Verbo Amar (poesia)</hi>. Edição de autor: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1989. <hi rend="CharOverride-1">Folhas Dispersas (poesia)</hi>. Edição de autor: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1990. <hi rend="CharOverride-1">NGOLA (Contos)</hi>. <hi >Edição do autor: Macau.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Correia A. 1992. </hi><hi rend="CharOverride-1">Amagao, Meu Amor (poesia)</hi>. Macau Hoje: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1992. <hi rend="CharOverride-1">Deideia (poesia)</hi>. Macau Hoje: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1994. <hi rend="CharOverride-1">Fragmentos (poesia)</hi>. LITS: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 1996. <hi rend="CharOverride-1" >Contos de Ou-Mun</hi><hi >. Livros do Oriente: Macau.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Correia A. 2002. </hi><hi rend="CharOverride-1" >Contos Cearenses</hi><hi >. A. F. Publicações: Lisboa.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2005. <hi rend="CharOverride-1">Memórias do Meu Rio – Contos</hi>. PróArt&amp;Letra: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2006. <hi rend="CharOverride-1">Contos Fabulosos</hi>. PróArt&amp;Letra: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2009. <hi rend="CharOverride-1">Amor Felino</hi>. PróArt&amp;Letra: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2010. <hi rend="CharOverride-1">Bom dia Pai</hi>.<hi rend="CharOverride-1"> </hi>PróArt&amp;Letra: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2010. <hi rend="CharOverride-1">Minha Raiz - Poemas</hi>. PróArt&amp;Letra: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2013. <hi rend="CharOverride-1">Mãe Maria</hi>.<hi rend="CharOverride-1"> </hi>PróArt&amp;Letra: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2016. <hi rend="CharOverride-1">Amor Canino</hi>. PróArt&amp;Letra: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2021. <hi rend="CharOverride-1" >Contos de Ou Mun</hi><hi >. LITS: Macau.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Correia A. 2022. </hi><hi rend="CharOverride-1" >Fragmentos</hi><hi >. LITS: Macau.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Correia A. 2022. </hi><hi rend="CharOverride-1" >Macau 22.113</hi><hi >. LITS: Macau.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" >Correia A. 2022. <hi rend="CharOverride-1">O Menino que queria ver o mar</hi>. LITS: Macau.</p><p rend="bib_indx_bib" >Graziani M. 2015. <hi rend="CharOverride-1" >«Luz e negrume». Para uma reflexão no sentido da vida em António Correia</hi>. «CEM<hi rend="CharOverride-1">. </hi>Cultura, Espaço e Memória», 31: 261-269.</p><p rend="bib_indx_bib" >Matos E. 2016. <hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa no Mundo — Stellis Undis Contactis</hi>.<hi rend="CharOverride-1"> </hi>Sessenta e nove manuscritos: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Matos E., Correia A. 2017. <hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa — Lux Platearum</hi>.<hi rend="CharOverride-1"> </hi>Sessenta e nove manuscritos: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Matos E. 2018.<hi rend="CharOverride-1"> Calçada Portuguesa — Scriptum in Petris</hi>.<hi rend="CharOverride-1"> </hi>Sessenta e nove manuscritos: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" ><hi >Matos E. 2020a. </hi><hi rend="CharOverride-1" >Calçada Portuguesa — In Excelsis Petris</hi><hi >. Mythus de Er: Lisboa.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" >Matos E., Correia A. 2020b.<hi rend="CharOverride-1"> </hi><hi rend="CharOverride-1" >Lisboa Lux Candens</hi><hi >.</hi><hi rend="CharOverride-1" > </hi><hi >Mythus de Er: Lisboa.</hi></p><p rend="bib_indx_bib" >Matos E., Correia A. 2021. <hi rend="CharOverride-1">Calçada Portuguesa — Naves in Petris — Poética</hi>. Mythus de Er: Lisboa.</p><p rend="bib_indx_bib" >Seabra Pereira, J. C. 2015. <hi rend="CharOverride-1">O Delta Literário</hi>. Instituto Politécnico de Macau: Macau. </p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-008-backlink">1</ref></hi>	Jorge Bruxo é mestre em Língua e Cultura Portuguesas pela Universidade de Macau. Actualmente, é professor aposentado na Universidade Politécnica de Macau. </p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-007-backlink">2</ref></hi>	Lurdes Escaleira é doutorada em Didáctica de Línguas pela Universidade do Porto. Actualmente é professora na Universidade Politécnica de Macau.</p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-006-backlink">3</ref></hi>	Entrevista (2020) refere-se à entrevista concedida pelo escritor António Correia a Jorge Bruxo e Lurdes Escaleira em Março de 2020. Ao longo do artigo inserimos em itálico algumas citações dessa entrevista sem expressa indicação.   </p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-005-backlink">4</ref></hi><hi>	A Companhia de Serviços Linguísticos e Informáticos, LITS Lda é uma empresa de Macau que para além da prestação de serviços de tradução tem vindo a apostar na tradução e edição de obras em português e chinês. </hi></p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-004-backlink">5</ref></hi><hi>	</hi><hi>António Correia andou pelos quatro cantos do mundo mas guardou sempre as memórias dos anos passados no Douro e, mais tarde, desenvolveu o projecto pessoal da Casa da Poesia, a sua residência no concelho de Resende, terra natal, a qual passou a ser o seu refúgio.</hi></p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-003-backlink">6</ref></hi><hi>	</hi><hi rend="CharOverride-1">Nos livros que leu o autor encontrou os caminhos que escolheu. Por que não ser advogado e tribuno se os clássicos escritores o tinham sido? Isso explica a carreira profissional que teve, que amou ter, mas a que pôs deliberadamente ponto final por causa da escrita. Sim, mesmo escrevendo pouco, assume-se como poeta e escritor sem pressas, sem angústias, sem ambições, mas com o orgasmo de chorar de emoção ao ver-se no espelho das palavras quando estão em sintonia com o que as mãos transcrevem sob o comando do coração </hi><hi>(Entrevista).</hi></p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-002-backlink">7</ref></hi><hi>	E nesse período que é agraciado, pelo Presidente da República Portuguesa, com a Ordem de Mérito, no grau de Grande Oficial.</hi></p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-001-backlink">8</ref></hi><hi>	Numa pesquisa no Facebook identificamos estas datas como sendo do primeiro e do último poemas publicados nesta rede social. </hi></p><p rend="layout_notes" ><hi rend="CharOverride-3"><ref target="03.html#footnote-000-backlink">9</ref></hi><hi>	</hi><hi rend="CharOverride-1">Minha Raiz e Contos do meu Rio foram paridos pela insistência da pintora Teresa Portela que, lisboeta embora, não descansou enquanto o não pôs a contar essas histórias e a construir um pequeno paraíso a mirar o Douro – o Sítio do Arrais, Casa da Poesia </hi><hi>(Entrevista).</hi></p>
      
      
      
      
      
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        <listBibl>
          <head>References</head>
          <bibl n="124957">Bruxo J., Escaleira L. (2022), Ant&amp;#243;nio Correia: o escritor e a sua obra liter&amp;#225;ria, &amp;#171;Revista de Cultura&amp;#187;, 69: 141-159.</bibl>
          <bibl n="124958">Correia A. (1976), Abrindo Caminho, edi&amp;#231;&amp;#227;o de autor : Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124959">Correia A. (1986), Rua Sem Nome, Ar&amp;#237;on Publica&amp;#231;&amp;#245;es, Lda: Lisboa</bibl>
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          <bibl n="124961">Correia A. (1989), Conjugando o Verbo Amar (poesia), edi&amp;#231;&amp;#227;o de  autor: Macau.</bibl>
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          <bibl n="124969">Correia A. (2005), Mem&amp;#243;rias do Meu Rio – Contos, Pr&amp;#243;Art&amp;amp;Letra: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124970">Correia A. (2006), Contos Fabulosos, Pr&amp;#243;Art&amp;amp;Letra: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124971">Correia A. (2009), Amor Felino, Pr&amp;#243;Art&amp;amp;Letra: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124972">Correia A. (2010), Bom dia Pai, Pr&amp;#243;Art&amp;amp;Letra: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124973">Correia A. (2010), Minha Raiz - Poemas, Pr&amp;#243;Art&amp;amp;Letra: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124974">Correia A. (2013), M&amp;#227;e Maria, Pr&amp;#243;Art&amp;amp;Letra: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124975">Correia A. (2016), Amor Canino, Pr&amp;#243;Art&amp;amp;Letra: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124976">Correia A. (2021), Contos de Ou Mun, LITS: Macau.</bibl>
          <bibl n="124977">Correia A. (2022), Fragmentos, LITS: Macau.</bibl>
          <bibl n="124978">Correia A. (2022), Macau 22.113, LITS: Macau.</bibl>
          <bibl n="124979">Correia A. (2022), O Menino que queria ver o mar, LITS: Macau.</bibl>
          <bibl n="124980">Graziani M. (2015), &amp;#171;Luz e negrume&amp;#187;. Para uma reflex&amp;#227;o no sentido da vida em Ant&amp;#243;nio Correia. &amp;#171;CEM. Cultura, Espa&amp;#231;o e Mem&amp;#243;ria&amp;#187;, 31: 261-269.</bibl>
          <bibl n="124981">Matos E. (2016), Cal&amp;#231;ada Portuguesa no Mundo — Stellis Undis Contactis, Sessenta e nove manuscritos: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124982">Matos E., Correia A. (2017), Cal&amp;#231;ada Portuguesa — Lux Platearum, Sessenta e nove manuscritos: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124983">Matos E. (2018), Cal&amp;#231;ada Portuguesa — Scriptum in Petris, Sessenta e nove manuscritos: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124984">Matos E. (2020a), Cal&amp;#231;ada Portuguesa — In Excelsis Petris, Mythus de Er: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124985">Matos E., Correia A. (2020b), Lisboa Lux Candens, Mythus de Er: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124986">Matos E., Correia A. (2021), Cal&amp;#231;ada Portuguesa — Naves in Petris — Po&amp;#233;tica, Mythus de Er: Lisboa.</bibl>
          <bibl n="124987">Seabra Pereira, J. C. (2015), O Delta Liter&amp;#225;rio, Instituto Polit&amp;#233;cnico de Macau: Macau.</bibl>
        </listBibl>
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    </body>
  </text>
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